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Ex-dirigente diz que contratação de Vagner Mancini foi para agradar vestiário

Leonardo Amoedo é mais um membro da alta cúpula a deixar o Vitória. Ele ocupava o cargo de diretor de planejamento e controle financeiro, e era o único dirigente estatuário da atual gestão rubro-negra. Amoedo disse que entregou uma carta anunciando sua saída do clube ainda na terça (18), antes do presidente Ivã de Almeida pedir uma licença de 90 dias.


Sua saída foi motivada pela influência da política nas tomadas de decisão do clube: “Um dos principais compromissos que a gestão assumiu em dezembro foi o de profissionalizar o clube. No futebol isso é muito complicado, pois a política impera. Mas no Vitória, talvez pela democracia ser muito nova, ela impera com muito mais força”, explicou.

 

“Desde o início do ano, a repercussão política sempre foi um dos pontos mais importantes para que uma decisão fosse tomada”, continuou Amoedo. “Não se podia contratar sem ouvir alguém de fora do clube, não se podia alguma coisa porque ia desagradar a alguém... Não quero trabalhar num lugar em que a política é mais importante que o melhor para o clube”. De acordo com o ex-diretor, a influência política continua mesmo após a saída de Ivã:

 

“A questão de Ivã era falta de pulso. Ele não tinha pulso para coibir a atuação política lá dentro. Meu sonho é que Agenor (Gordilho, presidente em exercício) tenha esse pulso para fazer com que a gestão seja pelo menos 50% influenciada pela política”.

 

Amoedo falou que a contratação do técnico Vagner Mancini é uma tentativa de retomar o controle do vestiário: “ele tem uma relação muito boa com alguns jogadores, como Willian Farias, Fernando Miguel e Kanu, e isso pesou 100% na sua vinda. Uma decisão acertada de quem está lá dentro, porque vivemos um momento difícil e é preciso dividir a responsabilidade com os jogadores, também. Vamos ver qual vai ser a desculpa deles agora, porque foi o técnico que os jogadores pediram”.

 

Petkovic rachou elenco

O ex-dirigente disse que Petkovic chegou em maio ao clube como uma decisão unilateral de Ivã de Almeida, mas que no final surpreendeu positivamente: “o objetivo era organizar, principalmente em relação aos contratos firmados, rever todo o planejamento financeiro, enfim, tudo o que não vinha sendo feito de maneira satisfatória por quem estava no comando do futebol”. Na época, o diretor de futebol era Sinval Vieira.

 

“Pet foi uma surpresa muito positiva. Fez auditoria em todos os contratos e foi excelente, principalmente, na parte financeira. Muita gente não sabe, mas Petkovic contratou sempre de maneira responsável. Alguns jogadores vieram de graça. Ele controlou todas as comissões. Fez o Vitória rescindir o contato de Gabriel Xavier e ainda conseguir um bom dinheiro”, explicou.

 

Segundo Amoedo, a gestão mais radical do futebol desagradou as lideranças do vestiário. “Petkovic tinha um estilo muito sério e os jogadores possuem uma cultura muito diferente. Os jogadores estão acostumados a treinar mais puxado apenas na quarta e na quinta-feira, a chegar às 10h30 quando o treino estava marcado para às 10h. E isso começou a chatear alguns jogadores”, disse.

 

“Daí, o jeito dele trabalhar os contratos começou a chatear também alguns empresários de atletas, que faziam a cabeça dos jogadores. Principalmente, os empresários de Willian Farias, Fernando Miguel e Kanu, que eram lideranças do vestiário”, completou.

 

“Só havia dois caminhos: ou insistia na mudança, tentando isolar estas falsas lideranças e tentava introduzir novos valores ao elenco, o que ia demorar, ou então se rendia ao grupo. Eu acredito que foi essa a decisão de Agenor, se render, e, para mim, ele está fazendo isso de maneira inteligente", concluiu Amoedo. Procurados, nenhum dos três jogadores citados pelo ex-dirigente quis comentar a matéria.


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