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Ba-Vi deste domingo será mais um no ano com torcida única. Confira!

Três meses depois, Bahia e Vitória se reencontram para o maior clássico do estado. Ainda sob a cicatriz da briga dentro de campo envolvendo os jogadores das equipes em fevereiro, no Barradão, quando a partida teve a presença das duas torcidas, o Ba-Vi deste domingo, 22, às 16h, na Fonte Nova, seguirá tendo torcida única, assim como nas finais do Campeonato Baiano.

 

Após recomendação do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), o clássico voltou a ter portas fechadas aos visitantes e presença única da torcida mandante – no caso deste domingo, a do Bahia. A recomendação, feita pelo promotor Olímpio Campinho, tem base nos registros da Polícia Militar que aconteceram nos clássicos contando com a presença das duas torcidas.

 

A polícia, por sua vez, manifesta ter total capacidade para atuar no policiamento, seja com torcida única ou nos jogos com as duas torcidas. Para justificar a decisão, o promotor usa como base os dados dos clássicos de 2016 em comparação com o ano de 2017, quando foi implementada a torcida única. “Tivemos seis Ba-Vis no ano passado sem nenhuma ocorrência registrada pela Polícia Militar”, afirmou.

 

Além disso, Campinho observou um outro fator: “O que notei, comparando a final do Baiano do ano passado com o ano anterior, é que houve um aumento no público de 33%. As pessoas se sentiram mais tranquilas para ir ao estádio”, afirmou ele, que mantém a recomendação para o Ba-Vi do returno do Brasileirão. Para 2019, ainda resta a dúvida.

 

“A medida de torcida única é paliativa, prejudica o espetáculo futebolístico, penaliza os torcedores em geral e não é capaz de resolver o problema da violência, já que a grande maioria dos confrontos ocorre fora dos estádios”, é o que diz a socióloga e pesquisadora Juliana Maltez.

 

Juliana, que estudou as torcidas organizadas na Bahia, acredita que “a constatação de que os atos violentos são muito maiores fora das arenas esportivas apareceu como unanimidade entre os próprios torcedores organizados que participaram do estudo”. Por isso, a socióloga afirma que as torcidas ganham outro papel num clássico:

 

“Com bandeiras, faixas, balões, mosaicos, vestimentas padronizadas, coreografias e cânticos devidamente orquestrados pela bateria, esses torcedores atravessam a condição de meros observadores do jogo e passam a compor o próprio espetáculo”. A perspectiva da socióloga entra em consonância com o histórico de posicionamento tanto do Bahia, do Vitória e da Federação Baiana de Futebol (FBF), que costumam ser contrários.

 

Questionado, o Esporte Clube Vitória, através da assessoria de imprensa, disse ser contra a torcida única. “O espetáculo é muito mais bonito com as duas torcidas. O Vitória prefere que o jogo aconteça com as duas torcidas. O futebol é mais valorizado com elas”. Já o Bahia assumiu postura mais cautelosa em comparação ao rival e preferiu dizer que “admira o clássico com a festa das duas torcidas, mas que respeita a determinação do MP”.

 

A FBF, por meio do presidente Ednaldo Rodrigues, se posicionou contrariamente, mas ponderou. “Não somos a favor, o futebol baiano é um lugar onde os torcedores torcem com disciplina e respeito mútuo. Existem fatos isolados que depreciam essa relação, mas não temos que ir de encontro à resolução do Ministério Público e da Polícia”. A Tarde/ Levy Teles/Foto Felipe Oliveira- Esporte Clube Bahia


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