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Argentinos largam tudo (até a mulher) para vir ao Brasil sem ingresso

Primeiro, a orla de Copacabana. Em seguida, Terreirão do Samba.  E, agora, o Sambódromo do Rio de Janeiro também está dominado pelos hermanos. Eles não estão nem aí pra mordomia. Apertam-se dentro de carros, motorhomes e barracas de camping, fazem a própria comida em caldeirões, escovam dentes com copo d’água e, quando dá, tomam banho. Essa é a realidade da maior parte dos 100 mil argentinos esperados no Rio até amanhã, quando a Argentina pega a Alemanha no Maracanã em busca do tri mundial.
 
A maioria não tem ingresso,  nem se preocupa em comprar. Em um fanatismo misturado com simplicidade, estendem as bandeiras nas paredes, se juntam para cantar e jogar bola. De fato,  eles são uma grande família, organizada na bagunça. Ao som de gêneros musicais como cumbia e reggaeton, bebem muito chá mate e, além de macarrão e arroz, comem torta frita, algo parecido com pastel. Unidos, dividem as barras de proteção, que funcionam como varal de roupas. Fogem ao senso comum: adoram os brasileiros. Basta passar um e a resenha rola solta.
 
Muitos portam grandes histórias. Espalhados em mais de 400 veículos, há quem largou o trabalho, a família, os estudos. Enfim, tudo para viver a louca aventura no Brasil. “Não temos dinheiro para ficar nos hotéis de Copacabana. Aqui são pessoas de baixo poder aquisitivo, que vieram no sacrifício. Não quero mar, só quero futebol. É a maior alegria da minha vida”, reverbera o radialista Juan González, 63 anos, de Córdoba, que dorme ao lado do filho na mala de um Palio.
 
É possível encontrar crianças, jovens e idosos oriundos de várias partes da Argentina, como Rosário, Patagônia, Mar del Plata e Buenos Aires, caso de Julio Jadecm, 46 anos, que largou tudo para vir ao Brasil. Tudo mesmo. “Minha esposa disse que, se eu viesse, terminaria nosso casamento de 21 anos. Eu deixei ela e meus três filhos lá, sem falar do meu trabalho. É um momento único, não me importo com nada”, comentou, enquanto dividia um pacote de cream cracker com mais três amigos que se espremem em um carro.
 
Alguns sequer trouxeram comida. “Não sabemos como fazemos para comer. Falamos com um amigo ao lado, vamos numa padaria a pé... Queremos desfrutar da festa, da paixão à seleção argentina. Disse no trabalho: vou ao Mundial. Não esperei a liberação. Depois não sei o que vai acontecer”, diverte-se o educador físico Leonardo Sucetti, 31 anos, natural de Colón.
 
É tanta gente que não entra mais nenhum carro no Sambódromo desde quinta à tarde. Os últimos conseguiram a liberação no gogó. “Chegamos quinta de tarde e já estava fechado. Cantamos mais de duas horas sem parar até que deixassem a gente entrar. Vamos ser tri”, acha Luís Vitória, 22 anos, que chegou  de Buenos Aires com mais 21 amigos.

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