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Blatter cita mensagem do Papa e dá nota 9,25 para Copa no Brasil

Em entrevista coletiva de balanço da Copa do Mundo nesta segunda-feira, no auditório do Maracanã, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, deu nota 9,25 para o torneio organizado pelo Brasil. É uma avaliação superior à que ele fez da África do Sul, quando deu nota 9 para o Mundial de 2010. 

 

- De 10, chegamos a uma nota de 9,25. Melhoramos desde a África do Sul. Perfeição não existe - disse Blatter.



O líder da entidade máxima do futebol mundial ignorou a cúpula da CBF em seus agradecimentos e pediu um esforço maior da própria entidade e do próximo país sede da competição, a Rússia, contra o racismo. Ele afirmou não estar "totalmente satisfeito" com a forma como a entidade conduziu a questão neste Mundial e revelou ter reforçado a questão com o presidente russo, Vladimir Putin.

Blatter citou ainda o Papa Francisco, afirmando que ele, apesar de não estar feliz com a derrota da seleção argentina, elogiou a união promovida pela competição.Blatter iniciou seu discurso agradecendo ao governo brasileiro e diretamente ao seu secretário-geral, Jérôme Valcke, também presente na mesa. Porém, ignorou o presidente do COL e da CBF, José Maria Marin, e seu vice-presidente que assumirá a entidade em 2015, Marco Polo del Nero, que não compareceram.

 

- Quero expressar agradecimento ao povo brasileiro, pela maneira como recebeu esse Mundial, ao governo, à Dilma Rousseff, aos governadores, aos prefeitos, ao COL, especialmente ao Ricardo Trade, ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e seu colega (Luís Fernandes), às equipes participantes nesses 31 dias. Foi uma final com muita emoção. À organização da Fifa, especialmente ao Valcke, que teve a responsabilidade logística pela organização da Copa, quero dizer muito obrigado.

 

O presidente da Fifa elogiou ainda o nível do futebol na Copa do Mundo e contou sobre uma mensagem recebida do Papa Francisco na manhã desta segunda-feira.



- Sou um homem feliz hoje porque segui essa Copa em dois níveis diferentes, um como presidente da Fifa, e visitei todas as arenas, cidades, tive as reuniões com governadores, prefeitos, segui a competição pela televisão, já que, por conta da distância, não era possível estar em todas as partidas. O segundo motivo é o futebol, e foi um futebol excelente. Obrigado pelo apoio, porque nunca um evento teve essa repercussão pelo mundo pela televisão, rádio, internet, todos os meios. Recebemos essa manhã uma mensagem do Papa Francisco, ele certamente não está feliz com a derrota da Argentina, mas disse que o futebol une as pessoas. Ele quis nos dar uma mensagem de paz. Foi um sucesso em todos os aspectos. Demos emoções às pessoas. 

 

Já pensando no próximo Mundial, Blatter deixou dúvidas sobre o número de palcos que receberão jogos. Apesar de o ministro do Esporte da Rússia e presidente do COL de 2018, Vitaly Mutko, ter garantido no sábado que o país entregará 12 estádios prontos em 2017, o que foi reforçado nesta segunda pelo diretor-executivo do COL russo, Alexey Sorokin, Blatter afirmou que o número ainda não está fechado e que pode ser reduzido para 10 arenas em reuniões a serem realizadas em setembro.



- Deveríamos ter uma longa discussão sobre isso. Em uma Copa do Mundo, atingimos uma dimensão que a organização é muito trabalhosa para a Fifa e o comitê organizador. Quando se compara o que aconteceu aqui à África, à Europa, à Ásia, conseguimos às vezes a pergunta certa, mas nem sempre a reposta certa. Tínhamos aqui oferta de 17 cidades e convencemos o comitê organizador a reduzir para 12. Na África, foram 10 estádios em nove cidades. Estamos olhando agora para 2018 e em discussão sobre qual o número ideal para a organização e para manter a organização de certa maneira de que seja visível e controlável, para que não entremos em situações onde alguns estádios não são muito usados depois da competição, o que é um problema. Não temos esse problema para 2018 porque é um país onde se pratica futebol. Mas haverá reuniões em setembro para verificar com o comitê organizador se o número ideal é 12 ou se deveria ser reduzido para 10. Temos de garantir que seja um investimento, não uma dívida.



Elogios à Copa e combate ao racismo



Quanto ao racismo, Blatter foi incisivo. Mostrou não estar contente com a forma como a questão foi conduzida no Mundial. O chefe da força-tarefa da Fifa contra o racismo e discriminação, e presidente da Concacaf, Jeffrey Webb, já havia causado constrangimento em um dos briefings diários promovidos pela entidade durante a Copa ao criticar a não contratação de agentes treinados para atuar na identificação desse tipo de situação.



- Como dissemos para a Rússia, temos de lutar contra o racismo. Não estou totalmente satisfeito pela forma como isso aconteceu. Insisti a esse respeito ontem com o presidente Putin, essa luta será mantida - disse Blatter.

 

Blatter, contudo, evitou dizer que a Copa brasileira foi a melhor de todos os tempos. Elogiou bastante a qualidade do futebol, a postura ofensiva das equipes e aí deu nota 9,25 para a realização da competição. 



- Vou a minha décima Copa, a quinta como presidente. Foi uma Copa muito especial, e o que fez dela especial foi a qualidade do futebol, a intensidade dos jogos. Começaram o torneio com um futebol de ataque. Nas últimas primeiras fases, os times pareciam preocupados em não perder. Desta vez, começaram de forma agressiva, e isso foi excelente para a competição. Claro que quando a fase em que as equipes podem ser eliminadas em um jogo começou, as táticas passaram a ter mais peso. Mas não houve um único jogo em que as equipes não tenham buscado o ataque. Ninguém poderia escrever dramaturgia melhor. Essa final não pode ser comparada à outra final, que foi uma luta tática. Neste domingo, as equipes lutaram, atacaram, buscaram vencer. 



O cartola também ressaltou o fair play na competição, com menos lesões, conforme lhe foi relatado pelo seu departamento médico na reunião do Comitê Executivo da entidade, na sexta-feira.



- E também o fair play. Tivemos menos lesões. Ouvi críticas aos árbitros de que estão dando poucos cartões. Mas se você olhar os resultados, menos lesões, mais intensidade no jogo, paixão. Do campo de jogo, essa Copa foi excepcional. Acho que a próxima Copa terá um padrão muito alto para atingir a mesma qualidade do futebol.

 

O dirigente lembrou, ao comentar sobre o clima de manifestação que se desenhou na Copa das Confederações, ter afirmado que tudo mudaria quando a bola rolasse.



- A minha primeira grande impressão foi a partida de abertura. Não vou dizer que sou profeta, mas eu disse que quando o pontapé inicial fosse dado, algo mudaria nesse país. E isso aconteceu. Quando começaram o jogo em São Paulo, algo mudou. Quando vi a Espanha contra a Holanda, aí eu soube mesmo que algo muito especial acontecia nessa Copa.  



Sobre a punição de Luís Suárez, do Uruguai, Blatter preferiu não comentar o peso da pena - nove jogos da seleção de suspensão e quatro meses de afastamento de qualquer atividade ligada ao futebol. Disse que uma pena como essa é dolorosa, mas que hoje esse tipo de decisão é tomada por comitês independentes da entidade. 



- Isso são assuntos para ser tratados na Fifa por comitês independentes. Estamos em um sistema democrático com independência de jurisdição na Fifa. Então considerado o caso de Suárez, eu sinto que uma punição como essa machuca, mas como presidente da Fifa tenho de acatar as decisões que são tomadas por nossos comitês independentes. Espero que esse jogador volte ao campo para mostrar o que vinha mostrando, a capacidade técnica e tática, antes do que aconteceu. Ele agora está em um dos maiores clubes do mundo (Barcelona), e sua posição como grande jogador será confirmada.


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