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Suspeitos de chacina com 9 mortos em presídio de Feira participam de audiência

Quinze dententos suspeitos de envolvimento na chacina que deixou nove mortos em maio de 2015 durante uma rebelião no presídio da cidade de Feira de Santana, a 100 km de Salvador, participam nesta última segunda-feira (13) da primeira audiência de instrução sobre o caso, no salão do juri do Fórum Filinto Bastos, no centro da cidade.
 
A audiência, presidida pela juíza Márcia Simões da Costa, começou por volta das 9h30 e, até por volta das 16h, ainda não havia sido finalizada. Além dos 15 réus, oito testemunhas de acusação e cinco pessoas que ficaram feridas durante o motim estão sendo ouvidas.
 
Advogados e representantes da Defensoria Pública da Bahia e do Ministério Público (MP-BA) também participam da audiência no fórum, que teve o policiamento reforçado. Policiais em seis viaturas da Polícia Militar estão na entrada do local fazendo a segurança. Ao todo, 17 presos foram apontados como responsáveis pela chacina no conjunto penal da cidade, mas dois dos suspeitos já morreram e, por isso, somente 15 são ouvidos. Entre os que morreram está Ronilson Oliveira de Jesus, que era conhecido como Rafael, de 29 anos, apontado como mandante da rebelião.
 
Ele foi morto durante confronto com a polícia no dia 27 de janeiro de 2017 no município de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador.
 
Disputa
A disputa entre dois traficantes pelo comando do tráfico de drogas dentro do Conjunto Penal da cidade de Feira de Santana foi o que motivou a rebelião que resultou na morte de nove detentos no Pavilhão 10, em maio de 2015.
 
O motivo foi apontado na no inquérito da Polícia Civil que apurou as circunstâncias do motim. A investigação, que durou mais de dois meses, também identificou os autores dos homicídios e o mandante da chacina.
 
Segundo a Polícia Civil, as mortes foram a mando do traficante Ronilson. Ele era suspeito de participação em diversos crimes, como tráfico de drogas, homicídios e roubos, e já chegou a ser condenado a 10 anos de prisão pelo assalto a um banco da cidade de Utinga, na região da Chapada Diamantina.
 
Conforme o inquérito, que possui ao todo 500 páginas divididas em dois volumes, Rafael era rival do detento apelidado de "Haroldinho", que liderava o tráfico dentro do presídio e que foi morto durante a rebelião. Segundo a polícia, Rafael queria dominar tráfico no presídio e ordenou que seus comparsas que estavam dentro da cadeia realizassem a rebelião e cometessem os crimes contra os rivais de cela.
 
Após a rebelião em 2015, todos os suspeitos de envolvimento nas mortes foram transferidos para o presídio da cidade de Serrinha, localizado a 180 quilômetros de Salvador. Um deles, Raimundo Nonato dos Santos, de 38 anos, acabou sendo morto dias após a transferência. Ele foi encontrado com lençol enrolado no pescoço. A polícia não soube dizer se ele foi morto ou se suicidou.
 
Rebelião
A rebelião foi iniciada no dia 24 de maio e encerrada somente no dia seguinte, após mais de 18h de negociações. Mais de 70 familiares de presos passaram a noite na unidade como reféns. O mandante estava preso há sete anos, respondendo por tráfico de drogas e por homicídios, mas havia sido solto um mês antes do motim.
 
As morte foram cometidas por tiros de revólveres e a facas. Uma força-tarefa formada por 26 pessoas, dentre delegados, investigadores e escrivãos, foi instalada no presídio durante os dois dias de rebelião. Foram colhidos depoimentos de familiares e internos, e produzidas provas periciais, o que adiantou o inquérito policial e a identificação de todos os envolvidos, informou o delegado.
 
Segundo o delegado João Uzzum, além de atuar em Feira, "Rafael" comandava ponto de vendas de drogas em bairros de Salvador como Bairro da Paz, Alto do Coqueirinho e Itapuã. Os investigados podem ser responsabilizados, além dos crimes pelos quais já respondem, por outros como formação de quadrilha e homicídios múltiplos. A vistoria realizada no local achou três armas de fogo e dezenas de facas.
Segundo diretor do presídio, rebelião teria começado após briga entre facções (Foto: Ed Santos/Acorda Cidade)

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