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Suspeito de assédio, subsecretário diz acreditar que acusação foi motivada por 'questões políticas'

O subsecretário municipal de Reparação de Salvador, Valcy Evangelista da Silva, suspeito de assediar sexualmente uma funcionária do Partido Verde (PV), prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (19) e, segundo a polícia, além de reiterar que não cometeu o crime, disse que a acusação pode ter sido motivada por "questões políticas".
 
Ele depôs na Delegacia do Rio Vermelho, na capital baiana. Em nota, divulgada pela Secretaria Municipal de Reparação (Samur), antes da apresentação à polícia, o assédio já havia sido negado por ele. Valcy é integrante do mesmo partido em que a mulher que o denunciou trabalha.
 
“Em função do envolvimento no partido e de algumas pessoas que são membros de partidos executivos, ele acredita que exista alguma manipulação, alguma forma política de agir, o que não está comprovado ainda. A partir de amanhã que a gente vai trazer essa linha”, contou o delegado Artur Ferreira, que investiga o caso. Segundo o delegado, o subsecretário apresentou conversas em um aplicativo de mensagens de celular como provas da versão dele. O aparelho foi entregue à polícia e passará por perícia.
 
Após o depoimento, que durou cerca de 2 horas, Valcy Evangelista deixou a delegacia. Ele aguarda as investigações em liberdade. Além dele, conforme informou o delegado, cinco testemunhas da vítima também já foram ouvidas. As testemunhas confirmaram que houve assédio.
 
A Samur (instância da prefeitura de Salvador responsável por articular, junto às instituições governamentais e não governamentais, as políticas públicas de promoção da equidade racial, a inclusão social dos afrodescendentes e a valorização da diversidade) informou que vai aguardar o resultado das investigações para falar sobre o caso.
 
Acusação
A vítima, que não quer ser identificada, diz que resolveu denunciar o caso à polícia depois de quatro anos sofrendo abusos. Ela afirmou que o assédio acontecia dentro da sede do partido, em Salvador. "Ele usou coisas como: ‘Sei que você precisa do emprego’, ‘sei que você precisa pagar sua faculdade, então a gente pode conversar lá fora, tomar um vinho’, ‘me ajude, vamos tentar facilitar as coisas para você’. Ali ficou bastante claro que existia um interesse, onde ele buscava uma troca de favores sexuais", revelou a funcionária.
 
Conforme a vítima, no início, o subsecretário fazia elogios, e que depois a situação se agravou. "Ele usava a função de chefe para deixar claro que eu precisava do emprego porque, de alguma forma, existiria ali, uma troca de favores. Inicialmente as manifestações dele eram de elogio", diz a mulher.
 
"Tudo começou da seguinte forma: [ele dizia] 'Como você é linda'. Ele sempre demonstrou que tinha interesse em ter uma relação íntima, onde eu deixei claro que não havia nenhum interesse. De 2015 para 2016 foi quando as manifestações de assédio foram se agravando", relatou a funcionária. A mulher disse ainda que já tinha ouvido um relato semelhante de abuso sexual de outra funcionária do Partido Verde.
 
"Eu cheguei a escutar de uma pessoa, que trabalhou no partido em 2013, que sofria as mesmas coisas. Ela me falava que quando ia na sala dele, ele tentava beijar, ele também assediava ela da mesma forma. Só que essa pessoa foi demitida, não sei o que aconteceu com ela", revelou.A vítima relatou também que levou o caso à direção do partido, mas não obteve retorno. "Cheguei na direção, relatei o que estava acontecendo e não tive retorno do partido".
 
O G1 entrou em contato com o diretório local do Partido Verde, mas foi informado que a pessoa que poderia falar sobre o assunto não estava no local. Tentou também falar com o presidente do PV-BA, mas não conseguiu contato. "Chega um momento que você percebe que não dá para continuar sofrendo disso, e que uma pessoa como essa continua impune. Eu acredito que eu preciso de um retorno da Justiça", disse a mulher.

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