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Escolha de chapa ao governo do Estado deve ser pragmática, avalia Otto Alencar

Com um arco de aliança com dez partidos, a escolha para a chapa ao governo do Estado encabeçada por Rui Costa (PT) deve ser pragmática. A avaliação é do senador Otto Alencar (PSD). Para ele, cada um personagem político que quer uma das vagas deve ter a consciência do seu peso político e eleitoral.

 

Ao ser indagado se lealda seria uma componente para escolha dos nomes da chapa, uma vez que a senadora Lídice da Mata (PSB), assim como Otto, tem votado a favor de proposta que tenha respaldo do governador Rui Costa, o pessedista concorda. “Lealdade, compromisso, gratidão são virtudes que precisam ser notadas no político”, disse, mas ressalvando.

 

“Acho que a chapa deve ser composta por aquele que pode contribuir mais para a vitória, para ganhar as eleições. Se em março ou abril, Lídice for essa figura, pode ser Lídice. Se quem chegar assim for Leão, pode ser Leão”. Em nome do pragmatismo político, Otto sugere ainda que a chapa poderá ser composta, inclusive, por nomes de partidos que possam ser atraídos pelo governo. “Alguém pode chegar da oposição e contribuir com a chapa. Por que não?”.

 

Sabendo que a rejeição é um complicador para qualquer candidato, Otto lembra também que ter o nome associado a algum malfeito pode ser um impeditivo para ingressar na chapa majoritária. “As pessoas que vão compor [a chapa] precisam ir sabendo que vão ter que contribuir com peso político, com discurso e capacidade. Precisa ser uma chapa que não tenha que se explicar, não esteja com problemas judiciais, na delação da Odebrecht, ou da OAS, na lava Jato. A coisa pior que pode ter é que se explicar dos erros políticos”.

 

Abaixo veja a situação judicial de três possíveis nomes para compor a chapa de Rui Costa:

Lídice da Mata (PSB) - senadora
De acordo com um dos delatores da Odebrecht, José Carvalho Filho, a senadora Lídice da Mata teria recebido R$ 200 mil sem o devido registro em sua campanha ao Senado, em 2010. O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, acatou a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para retirar a investigação contra a senadora dos autos sobre o petrolão.

 

O novo relator do caso de Lídice, individualmente, é o ministro Celso de Mello. Segundo o delator, o valor foi repassado à senadora Lídice por meio do Setor de Operações Estruturadas, nome oficial do departamento de propinas da empreiteira. O Ministério Público, contudo, entendeu que as acusações não têm relação com a Lava Jato. Fachin acatou a manifestação e afastou definitivamente o caso da parlamentar baiana das investigações ligadas à operação. A senadora afirma estar “tranquila de que tudo será esclarecido.

 

João Leão (PP), vice-governador
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu inocentar o vice-governador baiano João Leão (PP) no inquérito da Lava Jato que apurava um esquema de corrupção ligado ao seu partido, o PP. A Corte entendeu que não havia provas suficientes sobre o caso contra Leão. Quando foi citado a primeira vez, o vice-governador chegou a declarar que estava “cagando e andando” para as denúncias.

 

Jaques Wagner (PT) – secretário de Desenvolvimento Econômico
Está nas mãos do juiz Sérgio Moro investigação contra o ex-governador da Bahia e atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner. Ele é suspeito de ter recebido cerca de R$ 12 milhões para a campanha de reeleição ao governo do Estado em 2010, segundo delação de Carlos José Fadigas de Souza Filho e Marcelo Odebrecht. Em troca do dinheiro, segundo as denúncias, teria concedido benefícios fiscais associados ao pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que teriam favorecido a Odebrecht.

 

Na mesma denúncia, o também delator Claudio Melo relata pedido de contribuições financeiras que teria sido feito por Wagner, para a campanha de 2010, em contrapartida da defesa de interesses da Odebrecht. Ele conta ainda que Wagner recebeu, no mesmo ano, um relógio de "presente" da Odebrecht no valor de US$ 20 mil e outro no valor de US$ 4 mil.

 

Os delatores André Vital Pessoa de Melo, Marcelo Odebrecht e Claudio Melo Filho narram que qualquer "apoio" da Odebrecht à campanha do candidato do PT em 2014, Rui Costa, estaria condicionado à resolução da dívida da Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (CERB).

 

Com a suposta resolução da dívida, a Odebrecht teria pago a Wagner o montante de R$ 10 milhões. A empresa, com o acordo, recebeu R$ 60 milhões, segundo Claudio Melo. Wagner declarou que todas as contribuições recebidas para as campanhas foram dentro da lei, e que o pagamento da dívida da CERB com a Odebrecht obedeceu a uma decisão da Justiça.


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