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Governo intensifica pressão para aprovar reforma da Previdência na Câmara

O presidente Michel Temer intensificou a pressão sobre a base aliada na Câmara com o discurso de que o cenário mudou e é favorável para a votação da reforma da Previdência. No entanto, ainda há resistência de aliados para votar a PEC (proposta de emenda à Constituição) neste ano. Esta quarta (6) é tida pelo governo como o "dia D" da reforma.

 

Temer reunirá líderes para ter um raio-X mais realista sobre as intenções de voto dos deputados. Há também uma série de encontros em diferentes partidos para que a reforma seja debatida. A partir desse mapeamento, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidirá se pautará ou não a votação para semana que vem.

 

"Não marquei nada sobre o início da discussão. Só saberemos se tem voto para levar a reforma ao plenário depois das reuniões com os líderes", disse Maia à reportagem. Apesar do discurso de euforia adotado por Temer e outros aliados, governistas admitem nos bastidores que ainda não há razão para cantar vitória. Contabilizam até agora entre 265 e 280 votos, abaixo dos 308 necessários segundo informações do Folha Press.

 

O Planalto pressiona, mas siglas governistas como PSD, PP, PR e DEM manifestaram –alguns até publicamente– posição contrária a fechar questão pela reforma –o que significa que parlamentares que votarem contra podem sofrer punições e até serem expulsos do partido. O PSDB, por exemplo, discute nesta quarta (6) o assunto, que encontra resistências em sua bancada.

 

Para tentar provocar um efeito pró-reforma em outros partidos, a bancada do PMDB encaminhou à cúpula da sigla um pedido de fechamento de questão. Temer telefonou ao presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e pediu que marque reunião da executiva nacional do partido o mais rápido possível para discutir o fechamento de questão.

 

O governo aposta na pressão externa para convencer deputados que hoje são contra a proposta a mudar seus votos até a semana que vem. O desejo do governo é votar ao menos o primeiro turno este ano na Câmara (dois turnos são necessários) e no Senado até março.

 

Aliados de Temer avaliam que surtiu efeito a estratégia de prometer R$ 3 bilhões a municípios se a reforma for aprovada. "Só hoje, recebi ligação de três prefeitos pendido para votar favoravelmente", disse o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS). Um desses prefeitos foi Adelar Loch (PMDB), de Coronel Pilar (RS).

 

"Alguém tem que assumir a bronca, tomar a responsabilidade. Vou ligar para nossos deputados. Os municípios estão numa situação complicada. Essa liberação [dos R$ 3 bi] ajuda bastante", disse o prefeito. Apoiadores da reforma no Congresso também acreditam que a posição de entidades patronais, como a CNI (Confederação Nacional da Indústria), favorável ao texto, pode ajudar a virar votos.

 

O ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, reforçou o discurso pró-reforma, mas reconheceu que "não se tem facilidade" ainda para votá-la. "Eu devo dizer que cresceu muito a probabilidade de nós aprovarmos.", disse.

 

Mas a estratégia de impor otimismo foi recebida com descrença pelo presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN). "Não botem tanta fé nesta história da reforma. Tem muita espuma aí, cuidado com as notícias", afirmou.


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