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'Caixinha da Fetranspor': Arquivos em pendrive indicam pagamento de R$ 250 mi em propina

Um pendrive entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelos delatores Álvaro José Novis e Edimar Dantas indica o pagamento de R$ 250 milhões em propina no esquema de "caixinha da Fetranspor". Vinte e seis empresas de ônibus abasteciam o fundo para pagar propina a políticos, esquema desarticulado pela Operação Cadeia Velha.

 

Em decorrência disso foram presos os deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB, e empresários do setor de ônibus. Investigações apontam que o esquema de recolhimento de dinheiro de caixa dois nas garagens das empresas existe desde pelo menos os anos 1990.

 

Em delação premiada, o doleiro Álvaro José Novis contou foi procurado pelo empresário José Carlos Lavouras, ex-conselheiro da Fetranspor, há quase 30 anos, para ajudar no recolhimento dos valores, que era feito pela transportadora Transegur (hoje Prosegur) e TransExpert. Os pagamentos da propina tinha como objetivo obter benefícios para as empresas de ônibus, mas foram suspenso em março de 2016, quando foi deflagrada a Operação Xepa pela Polícia Federal.

 

Na ação, executivos da Odebrecht e o próprio Novis foram presos. Segundo O Globo, o dinheiro arrecadado pelas empresas de ônibus era depositado em "contas centralizadoras" nas transportadoras de valores, chamadas "Netuno" e "Sabi". "A primeira era para registro dos créditos gerados pela "caixinha" das empresas de ônibus que participavam do esquema, e a segunda, para os débitos referentes à distribuição de dinheiro para as propinas destinadnas a agentes públicos", diz a denúncia do Ministério Público Federal.

 

Ainda segundo o MPF, a conta Sabi era administrada por Álvaro Novis e Edimar Dantas, com coordenação de José Carlos Lavouras, Jacob Barata Filho, Marcelo Traça, Lélis Teixeira e João Augusto Monteiro. Lavouras teria dito em depoimento que fez pagamentos a Picciani e Melo por ordem da Odebrecht, informação corroborada pelos executivos da empreiteira Benedicto Júnior e Leandro Azevedo.

 

Os delatores justificaram os valores "em razão da importância dos deputados no partido e no contexto político do estado, o que poderia resultar em vantagens comerciais para a empresa". O nome do deputado Edson Albertassi, líder do governo na Assembleia Legislativa, é citado na delação premiada do empresário Marcelo Traça, presidente do Sindicato de Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro e vice-presidente do Conselho de Administração da Fetranspor.

 

Em sua defesa, a Fetranspor disse não conhecer o teor da delação sobre fatos que teriam ocorrido antes da posse do novo corpo administrativo, mas se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A defesa de Jacob Barata Filho afirmou que não há qualquer evidência de distribuição ou recebimento de dinheiro ilícito em prol de qualquer agente público por parte do empresário.


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