Notícias

Salvador: Vizinhos contam como ajudaram vítimas de tragédia - Veja!

Jonas Lima vai demorar para esquecer as cenas do desabamento de um imóvel vizinho à sua casa em Pituaçu, onde quatro pessoas da mesma família morreram soterradas, na manhã desta terça-feira (13). É que ele é o cunhado de duas das vítimas e foi uma das primeiras pessoas que viram a construção "revirar", como prefere dizer.

 

Às 5h, quando acordou, Jonas ouviu de um vizinho, morador da residência ao lado, que a casa estava "estalando". "'Estalar? Como assim?' Achei que fosse maluquice dele". Depois que o vizinho saiu da porta da casa, Jonas olhou pra janela, viu que a chuva tinha piorado, sentou na cama e pediu a Deus para olhar pela construção onde a família morava segundo informações do Correio.

 

“Estava com infiltração, né? Por isso, eu imaginei que alguma coisa poderia acontecido”, relembra. Da sequência de cenas seguintes, Jonas só consegue lembrar da explosão. “Quando eu olhei pro prédio novamente, vi tudo no chão. Saí correndo para chamar Allan, mas já tava tudo revirado. Aí eu ajudei Leko (Alex) a pegar Beatriz e Sabrina. Eles tentavam proteger a bebê do concreto. Mas não consegui pegar quem tava embaixo”, conta.

 

“Eu tirei a televisão de lá sem um arranhão, mas vi minha família sair dentro de um saco. Por que não foi a televisão que explodiu? Ela não podia estourar? Hoje eu conheci o que é a dor de um tragédia”, contou ele, enquanto juntava algumas objetos que sobraram da tragédia. Assim como Jonas, o sobrevivente Alex Pereira, conhecido como Leco, também precisou deixar a dor de lado para salvar a família.

 

Ele estava dentro da construção e, mesmo abalado, ficou no local até as 8h, ajudando os parentes a acompanhar o resgate dos irmãos e de dois sobrinhos. Aliás, Alex sempre foi de ajudar os familiares. Foi ele que construiu o imóvel de quatro pavimentos para abrigar os parentes. O sonho, segundo a mãe dele, dona Iara Maria Silva, era que todos conseguissem sair do aluguel. “Alex derramou sangue para construir as casas. Deu uma à irmã, porque queria que ela não morasse de aluguel”, contou.

 

Heróis da comunidade
O modelador Naval Xavier, 42, não era da família, porém não mediu esforços para sair de casa quando escutou o barulho do desabamento e o grito das vítimas. “A gente fez de tudo pra salvar todo mundo, mas não teve como. Quando pegamos a última pessoa, ela já estava morta”, relembrou. “A gente tentou, mas infelizmente a vida é assim”.


Apesar da pouca idade, o jovem Janderson Santos, 13, também foi um herói na manhã desta terça. Desceu os escombros só para localizar Nino, o cachorro da família. Foi ele quem avisou aos bombeiros sobre a existência do animal. E mais: mesmo quando o Corpo de Bombeiros foi embora, ele ficou no local, ajudando a passar informações sobre a tragédia. "Eu brincava com Robert e com Nino toda vez que vinha pra cá. Aí quando o prédio caiu eu lembrei logo do cachorro", contou o menino.

 

Luto nas ruas
De um lado, olhares curiosos tentavam entender por que uma chuva tão forte tinha caído no lugar. Tampas de panelas, portas de geladeira, um velotrol e roupinhas de crianças completavam o resto de espaço. Nas paredes da rua foram escritas palavras como "luto", para lamentar a perda de quatro moradores. As escolas também não funcionavam e, com isso, até as crianças ajudavam a retirar o que restou das ruínas do imóvel.

 

Era essa a cena e o sentimento geral da Rua Alto de São João, no final da tarde desta terça-feira: de perda e de tentativa de se reerguer diante da tragédia. O dia, horário e local do sepultamento das quatro vítimas ainda não havia sido definido pela família até o final da noite desta terça. A informação deve ser divulgada na manhã desta quarta. Informações do Correio da Bahia


Categorias

Acidente




Classificados


Enquete



Mais Lidas