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Ernesto Geisel autorizou execução de opositores durante ditadura, revela documento

Um documento da CIA publicado pela imprensa brasileira mostra que Ernesto Geisel, que comandou o país em um dos períodos da ditadura militar (1964-1985), autorizou pessoalmente a execução de opositores. “O presidente Geisel autorizou a execução” de adversários políticos, destacam em primeira página os principais jornais do país.

 

Ernesto Geisel tem a reputação de ter enfrentado a linha mais dura do regime. Segundo o documento, revelado pelo coordenador do centro de Relações Internacionais da FGV, Matias Spektor, Geisel disse explicitamente ao chefe do SNI, o general João Figueiredo, que lhe sucederia no cargo, que as execuções deveriam continuar.


O relatório, datado de 11 de abril de 1974, está assinado pelo então diretor da CIA William Colby, dirigido ao secretário de Estado Henry Kissinger, foi tornado público em 2015 “Este é o documento mais perturbador que já li em 20 anos”, escreveu Spektor em sua conta no Facebook. No memorando, Geisel autoriza a continuação da política de assassinatos, mas exige do Centro de Informações do Exército uma autorização prévia do próprio Planalto.

 

“Em 1º de abril, o presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política (de eliminação de dissidentes) deveria continuar, mas que deveriam tomar cuidado para certificarem que somente os subversivos perigosos fossem executados”, aponta o relatório. Uma Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou em 2014, após três anos de trabalhos, 434 mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar no país.

 

Diferentemente de outros países latino-americanos que viveram ditaduras militares durante as décadas de 1970 e 1980, o Brasil nunca julgou os repressores devido a uma lei de 1979 que anistiou policiais e militares acusados de violarem os direitos humanos.


“Nunca tivemos em mãos um documento em que realmente estivesse escrito: ‘Vamos executar’. (Os militares) sempre disseram que as execuções eram casos isolados”, disse Vera Rotta, que durante os governos do presidente Lula trabalhou na Secretaria de Direitos Humanos e coordenou um amplo relatório sobre a repressão.


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