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Lava Jato criou acervo forçado sobre Lula

“Meu amigo e presidente Lula, desejo que comemore esse dia especial junto aos seus, D. Marisa e filhos e, para comemorá-lo encaminho as cachaças produzidas em nossa fazenda Baviera, acompanhado das pacas do nosso plantel. Com o abraço do EO.” Quem assina o cartão transcrito acima é o empresário Emílio Odebrecht.

 

A mensagem escrita em caligrafia refinada, data de 27 de outubro de 2015, foi encontrada por policiais federais no sítio de Atibaia (SP) – que o Ministério Público Federal sustenta ser de Luiz Inácio Lula da Silva, que nega. Com as garrafas da cachaça Itagibá que acompanhava, destiladas na fazenda que Odebrecht tem na Bahia, o cartão enviado poucos meses após a prisão do filho Marcelo Odebrecht está no acervo digital que a Operação Lava Jato reuniu sobre a vida do primeiro presidente operário do Brasil – preso e condenado em Curitiba.

 

A lista de CDs de músicas, DVDs de filmes do casal Lula, os presentes e suveniers que recebeu nos oito anos de presidente da República, cartas e postais de populares, faixas, camisetas de times, fotos, anotações das viagens como palestrante, uma agenda telefônica, o cartão de previdência privada, documentos dos carros, são alguns dos itens do acervo forçado que a Lava Jato formou em quatro anos de investigações, ao vasculhar a vida do petista, de seus familiares e de amigos. Um material – digno de museu – que mescla dados criminais com informações alheias ao ambiente persecutório da Justiça, de interesse sobre a vida do ex-presidente mais importante da política recente brasileira. Que para a Lava Jato foi o principal beneficiário político do bilionário esquema de cartel, corrupção e lavagem de dinheiro descoberto na Petrobrás à partir de 2014.

 

São itens recolhidos como prova durante a Operação Alethea, deflagrada em 4 de março de 2016, que teve Lula com alvo. Nas buscas no apartamento do ex-presidente em São Bernardo do Campo (SP), no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no Instituto Lula, em endereços dos filhos (Fabio Luís, o Lulinha, e Luís Cláudio) e de pessoas ligadas à família, como os filhos do ex-prefeito de Campinas (SP) Jacó Bittar, e em outras fases da Lava Jato. Acessível a consulta nos processos penais abertos contra Lula, na 13.ª Vara Federal, em Curitiba, do juiz federal Sérgio Moro, o material é composta também por documentos (laudos, relatórios, análises) produzidos pela força-tarefa – PF, MPF e Receita – que agregam informações como patrimônio, empresas, movimentações bancárias, fiscais ao acervo.

Estadão Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO


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