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Em Nova York, Temer diz que tentará votar reforma da Previdência após eleições

Em encontro com empresários americanos e brasileiros nesta última segunda-feira (24), em Nova York, nos Estados Unidos, o presidente Michel Temer disse que, após o resultado das eleições em outubro, irá trabalhar para emplacar a reforma da Previdência. Michel Temer participou de um evento na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

 

"Procurarei o presidente eleito. E tenho certeza que, ao procurá-lo, ele atentará para o fato de que a medida é indispensável. Não é essencial para um governo, é essencial para o Brasil", disse Temer, apostando superar o que chamou de "dificuldade de natureza eleitoral" para aprovar a reforma nos dois meses finais de seu mandato.

 

"Vou tentar. Acho que pode ser possível porque os deputados e senadores não terão mais aquela preocupação eleitoral. Nós temos dois meses pela frente, a reforma está formatada. Evidentemente vai depender também das conversas que eu tiver com o presidente eleito", disse Michel Temer. Ao falar sobre eleições, ele afirmou ainda que não há espaço para alternativas políticas à democracia no país segundo informações do Estadão Conteúdo.

 

"Hoje não existe no Brasil qualquer espaço político para que prosperem alternativas ao estado democrático de direito", afirmou. "Nós consolidamos três consensos fundamentais (desde a Constituição Federal de 1988): primeiro, em torno da democracia. Depois, em torno da estabilidade macroeconômica. E em torno do imperativo das políticas sociais", afirmou o presidente. Ele disse que não tem a intenção de "prever cenários", mas sim apresentar elementos sobre a dinâmica brasileira.

 

"Vamos ser bastante objetivos, o fato é que os principais candidatos podem discordar sobre muita coisa, mas coincidem quanto a cada um dos três contextos. Nenhum deles pôs em dúvida a democracia, e nem haveria espaço para isso", disse Temer, garantindo aos empresários que "não haverá volta atrás" em reformas empreendidas em seu governo, como a trabalhista ou o teto dos gastos públicos.

 

"As (reformas) que ainda estão por fazer são inevitáveis", disse, em menção à reforma tributária e da previdência. O presidente fez um balanço de seu governo, destacando o que considerou reformas, marcos regulatórios em infraestrutura e avanços econômicos que, segundo ele, fizeram a inflação recuar, a taxa básica de juros cair e o desemprego estancar.

 

"Nós vencemos a crise", disse Temer, ressaltando que o Brasil é um país atrativo para investidores. "O nosso governo prestigiou e prestigia a iniciativa privada, tanto a nacional, como a estrangeira. Sabemos que o estado não pode e nem deve fazer tudo, é o setor privado que cria emprego, riqueza e renda. Esse é o novo Brasil que estamos construindo", disse o presidente.

 

Temer destacou o mercado de 208 milhões de consumidores, agricultura "avançadíssima e competitiva" e um parque industrial "moderno e diversificado". "E há um fato político importante, nós estamos distantes de focos de tensão geopolíticas, nós vivemos em paz com nossos vizinhos", disse Temer. Aos investidores e empresários, ele afirmou que as instituições brasileiras são "fortíssimas".

 

Ele falou sobre a emenda que estabeleceu um teto nos gastos públicos como uma das formas de "encarar" os problemas. "O que nós fizemos foi reduzir os gastos, estabelecer um teto, e o fizemos com grande responsabilidade. A emenda constitucional que aprovamos prevê um prazo mínimo de dez anos para que possa haver uma revisão", disse Temer.

 

O presidente falou que "os empregos estão voltando" no Brasil e que a reforma trabalhista foi uma iniciativa para tornar a legislação adequada aos tempos contemporâneos. Segundo ele, a reforma foi feita através de diálogo com o Congresso e setores produtivos.

 

O evento foi organizado em Nova York pela Brazil-U.S. Business Council. Amanhã, Temer faz o discurso de abertura da 73ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Participam da comitiva de Temer os ministros Moreira Franco (Minas e Energia), Ronaldo Fonseca (Secretaria-Geral), Aloysio Nunes (Itamaraty) e Sérgio Etchegoyen (SGI) e os embaixadores Mauro Vieira (embaixador do Brasil junto à ONU) e Sérgio Amaral (embaixador do Brasil em nos EUA).


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