Notícias

Bolsonaro quer acabar com Meio Ambiente, colocar ruralista no poder e Marina se cala?

Marina Silva, que teve a maior parte de sua trajetória política no PT, como uma das líderes na temática do meio ambiente, lançou-se como candidata a presidente sob o signo da defesa do desenvolvimento sustentável, especialmente nas eleições de 2010 e 2014. Nesta eleição, em que despediu-se das disputas presidenciais com apenas 1% dos votos, a questão ambiental perdeu espaço na agenda de Marina.

 

Mas esta ainda é a marca principal de sua trajetória. Com base em sua biografia, cabe a pergunta: com a sinalização de Jair Bolsonaro de que pretende, se eleito, acabar com o Ministério do Meio Ambiente, subordinando-o ao da Agricultura, a ser entregue a um dos ruralistas mais retrógrados do país, Marina Silva permanecerá "neutra"?

 

A segunda marca da trajetória de Marina, além de sua trajetória nos temas do meio ambiente e sustentabilidade é a mágoa. Maria deixou o Partido dos Trabalhadores pouco antes da eleição presidencial de 2010 não por qualquer divergência com o partido, mas por uma profunda mágoa com o então presidente Lula. Ela tinha certeza que seria a escolhida para a sucessão naquela eleição e não se conformou com a escolha de Dilma.

 

Saiu do partido e passou a caminhar pela política tendo sua mágoa como norte. A pergunta sobre o posicionamento dela, desdobra-se em outra: Diante da ameaça do fascismo que paira sobre o país, Marina tomará sua decisão baseada em sua mágoa pessoal?

 

Luiz Antônio Nabhan Garcia, homem de extrema-direita, presidente da União Democrática Ruralista, uma das entidades mais retrógradas do país, é tido, nos círculos bolsonaristas, como nome certo para ministro da Agricultura e Meio Ambiente se o candidato fascista vencer as eleições. Reportagem da agência Reuters dá a dimensão do desastre que ele poderia representar para o país:

 

Um eventual governo de Jair Bolsonaro buscará apoiar a todos os produtores rurais, não só os maiores, desburocratizar processos e acabar com a chamada "indústria das multas" do Ministério de Meio Ambiente, disse nesta terça-feira à Reuters Luiz Antônio Nabhan Garcia, aliado do candidato do PSL à Presidência.

 

Cotado para assumir um futuro Ministério da Agricultura e Meio Ambiente, que juntaria as duas pastas em um governo Bolsonaro, Garcia disse que é preciso dar segurança jurídica ao produtor rural, que assim poderia destravar investimentos.

 

"Não pode ter uma indústria da multa punitiva. Tem que ser uma indústria construtiva e educativa... Quem cometeu infração tem que ser punido, mas antes é preciso um projeto educacional, mostrar como preservar...", declarou ele, líder da União Democrática Ruralista (UDR), entidade que se notabiliza pela defesa da propriedade rural e combate a movimentos de sem-terra, como o MST.

 

A proposta de Bolsonaro da fusão das pastas de Agricultura e Meio Ambiente, além de reduzir o número de ministérios, também seria importante para dar mais agilidade ao setor agropecuário, tido por algumas organizações não-governamentais como motor do desmatamento no Cerrado e na Amazônia.

 

O representante da UDR, um dos conselheiros de Bolsonaro para o setor do agronegócio, disse que é preciso "separar o joio do trigo", aqueles que atuam legalmente de madeireiros e garimpeiros ilegais. "Não dá para jogar (a culpa) nas costas do produtor rural...", afirmou. Para Garcia, que disse estar assessorando Bolsonaro "na solução dos principais gargalos do setor rural", o Ministério do Meio Ambiente trabalha atualmente para arrecadar recursos à União.

 

"O Estado quer arrecadar e tem que acabar com isso. Aí o produtor fica dez anos se defendendo na Justiça", ressaltou ele, criticando também integrantes do Meio Ambiente, que estariam "a serviço das ONGs, escusas e do interesse internacional". Garcia defendeu ainda que o futuro governo tem de zerar o repasse de recursos públicos para ONGs que atuam no Brasil, "porque milhares delas estão atuando com interesses escusos".

 

Para o líder da UDR, o setor agrícola precisa de uma atenção especial do governo porque tem ajudado na economia nos últimos anos. A soja, por exemplo, é o principal produto de exportação do Brasil, que é o principal exportador da oleaginosa, de carnes bovina e de frango, entre outros produtos agrícolas. "Se não fosse o setor rural o país tinha explodido nos últimos anos e não teria sobrado nada. O agronegócio é quem alavanca o país."

 

Durante sua campanha, Bolsonaro já criou polêmicas sobre demarcação de terras e preservação de áreas indígenas e quilombolas. Mas Garcia negou que Bolsonaro vá fazer um governo, caso seja eleito, voltado para os grandes latifundiários do país. Ele atribuiu ao PT, do oponente Fernando Haddad, esse tipo de "fake news".

 

"Isso é papo furado dessas ideologias doentias que existem aí. Pelo contrário, não tem essa divisão. Isso é ranço do PT. Vamos incentivar a agricultura familiar. Pequeno, médio e grande produtor estão na mesa, e isso (de priorizar os grandes) é piada", declarou ele.

 

Para o aliado de Bolsonaro, produtores agrícolas de menor porte têm dificuldades para acessar crédito no BNDES, enquanto grandes empresas do setor de carnes conseguiriam com facilidade. "O BNDES em vez de bancar frigorífico tem que oferecer à base da indústria agro. O produtor para conseguir merreca fica seis meses, um ano sendo humilhando no BNDES. Isso vai acabar. Faremos política para todo mundo e não para um monopólio."


Categorias

Eleições 2018




Classificados


Enquete



Mais Lidas