© Tânia Rêgo

Pesquisa realizada pela Quaest Consultoria apontou que 42% dos brasileiros afirmam que a Lava Jato acabou por ações de políticos para barrar as operações. A operação começou em março de 2014 e se estendeu até fevereiro de 2021.

 25% afirmam que houve exageros e erros por parte dos investigadores e juízes envolvidos na operação. Outros 22% não responderam à pergunta, enquanto 8% acreditam que, em 2021, a corrupção no governo havia acabado e já não havia mais nada para investigar.

O levantamento ouviu 2 mil pessoas presencialmente entre os dias 25 e 27 de fevereiro, em 120 cidades, e foi encomendado pela Genial Investimentos. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

A consultoria também perguntou aos entrevistados se a Lava Jato fez mais bem do que mal. Metade (50%) respondeu que a operação fez mais bem, enquanto 28% avaliaram que fez mais mal. Já 15% não souberam responder.

A operação é mais bem vista entre:

  • os homens (59%);
  • pessoas de 35 a 49 anos (55%);
  • brasileiros com Ensino Superior (62%);
  • que ganham mais de 5 salários-mínimos (56%);
  • e moradores da região Sul (60%).

Lava Jato e a corrupção

Outro ponto do levantamento traz a seguinte pergunta: a Lava Jato ajudou a combater a corrupção?

A maioria respondeu que sim (49%), enquanto 27% disseram que não. Já 11% não souberam responder, enquanto 4% afirmaram que combateu mais ou menos.

A força-tarefa Lava Jato e o seu fim
A Operação Lava Jato foi um conjunto de investigações da Polícia Federal que teve a 1ª fase deflagrada em 17 de março de 2014, a partir de uma investigação de lavagem de dinheiro em um posto de combustíveis, que acabou chegando a um esquema criminoso de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras.

Posteriormente, a ação alcançou outras estatais e empresas privadas, além de políticos, empresários e executivos de estatais.

Um dos casos de maior repercussão da Lava Jato foi a condenação do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi condenado em primeira instância por corrupção no caso do triplex de Guarujá por Sérgio Moro, que, na ocasião, era o juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba. Em abril de 2018, Lula foi preso após ser condenado em segunda instância.

Mais de um ano depois, Lula acabou sendo solto em novembro de 2019, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância.

A força-tarefa da Lava Jato do Paraná, onde as investigações começaram, terminou em fevereiro de 2021, após a publicação de uma portaria da Procuradoria-Geral da República em dezembro de 2020. Na ocasião, 5 dos 15 integrantes da força-tarefa passaram a integrar o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), dando continuidade aos trabalhos, até agosto de 2022.

Naquele mesmo mês, o ministro Fachin, relator de casos que tramitaram no STF, divulgou um balanço com dados das ações da força-tarefa na primeira instância e no Supremo.

Segundo o levantamento, ao longo da Lava Jato, o STF realizou 221 mandados de busca e apreensão, 12 prisões preventivas, duas prisões temporárias, 29 denúncias, 102 acusados e quatro condenações.

A força-tarefa do Paraná somou 1.450 mandados de busca e apreensão, 132 prisões preventivas, 163 prisões temporárias, 130 denúncias, 533 acusados e 278 condenações. Os dados não detalharam de quais partidos eram os condenados.

Em março de 2021, o comentarista político da GloboNews Gerson Camarotti, afirmou que, no Supremo Tribunal Federal (STF), houve um consenso de que a operação começou a escrever o seu final quando o Moro decidiu ocupar o Ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro.

Na Lava Jato, Moro era responsável pelo julgamento em primeira instância dos crimes identificados pela operação. Ele era o juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba.

A avaliação, na época, era de que Moro havia fragilizado em definitivo a operação ao deixar a magistratura para ocupar um cargo político. E que, portanto, o julgamento de sua suspeição no caso Lula seria uma consequência dessa decisão.

Além disso, a divulgação das mensagens entre Moro e procuradores, que foram alvos de um ataque hacker, acabou intensificando o desgaste da Lava Jato, pois teria criado um ambiente na Corte de que houve excessos na operação.

Em outubro de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar, durante um pronunciamento no Palácio do Planalto, que havia acabado com a operação Lava Jato porque, no seu governo, não haveria corrupção a ser investigada.

“É um orgulho, é uma satisfação que eu tenho, dizer a essa imprensa maravilhosa que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação”, afirmou, na época. G1