O corpo da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que morreu após cair de um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, só deve chegar ao Brasil mais de uma semana depois do acidente.
A dor da família, diante da tragédia que comoveu parentes, autoridades e até personalidades públicas, se prolonga devido a uma série de entraves logísticos e burocráticos que atrasaram o translado do corpo da jovem.
O acidente ocorreu no dia 21 de junho, mas a confirmação da morte de Juliana só aconteceu quando os socorristas chegaram ao local onde o corpo foi encontrado, no dia 24, após quatro dias de buscas em uma área de difícil acesso.
Na última segunda-feira (30), a Emirates Airlines anunciou que o translado terá início nesta terça-feira (1º). A empresa confirmou que o corpo será levado primeiro para Dubai e, em seguida, para São Paulo. A chegada ao Rio de Janeiro está prevista para esta quarta-feira (2).
A jovem, natural do Rio de Janeiro e moradora de Niterói, estava em um mochilão pela Ásia desde fevereiro. A confirmação da morte foi um choque para familiares e amigos, que desde então passaram a enfrentar uma nova batalha: trazer Juliana de volta para casa.
Sequência de obstáculos
Após a localização do corpo, a primeira autópsia foi realizada no dia 26 de junho, em um hospital na ilha de Bali.
O laudo apontou traumatismo grave como causa da morte, mas imagens de drones levantaram dúvidas sobre o tempo de sobrevivência de Juliana após a queda. A incerteza levou a Defensoria Pública da União (DPU) a solicitar uma nova autópsia, que será realizada no Brasil.
Enquanto isso, a família enfrentava dificuldades com a liberação do corpo.
A empresa funerária em Bali só poderia autorizar o envio após a confirmação de todos os voos — o que não ocorreu de imediato.
A Emirates Airlines, responsável pelo transporte, confirmou apenas o trecho Bali–Dubai, mas não o voo até o Rio de Janeiro. Isso atrasou a liberação do corpo por dias.
A situação gerou revolta. A família chegou a fazer um apelo público à companhia aérea. A Emirates alegou “restrições operacionais” e confirmou o translado apenas no dia 30, com chegada prevista ao Brasil em 1º de julho.
Apoio público e solidariedade
Diante da demora e dos custos elevados, a Prefeitura de Niterói se mobilizou e repassou R$ 55 mil à família para cobrir as despesas do translado.
O prefeito Rodrigo Neves também prometeu homenagear Juliana, dando seu nome a uma trilha e a um mirante na cidade.
A comoção chegou a todo Brasil. O jogador de futebol Alexandre Pato se ofereceu para pagar o translado do corpo, em um gesto de solidariedade que emocionou a família. A ajuda, no entanto, acabou não sendo necessária após o apoio da prefeitura de Niterói.
A prefeitura do município, inclusive, decidiu prestar uma homenagem à Juliana, batizando com o nome da jovem o mirante e a trilha da Praia do Sossego.
Mudança na legislação
O caso de Juliana levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a intervir pessoalmente. Lula ligou para o pai da jovem, Manoel Marins, e determinou que o Itamaraty prestasse todo o apoio necessário.
Em seguida, anunciou a revogação de um decreto de 2017 que impedia o governo federal de arcar com os custos de translado de brasileiros mortos no exterior.
A nova regra, publicada no Diário Oficial, permite que o Ministério das Relações Exteriores assuma os custos em casos excepcionais — como comoção pública, ausência de seguro ou incapacidade financeira da família.
A medida ainda não tem aplicação retroativa confirmada, mas representa um marco para situações semelhantes no futuro.
Autópsia e liberação do corpo
A primeira autópsia, feita em Bali, apontou múltiplas fraturas e lesões internas, mas não determinou o horário exato da morte.
A ausência dessa informação, somada às imagens que sugerem que Juliana poderia ter sobrevivido por mais tempo, motivou o pedido de uma nova necropsia no Brasil.
A Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou que o exame será realizado até seis horas após a chegada do corpo, para preservar eventuais evidências.
A demora na liberação pelas autoridades indonésias, somada à exigência de confirmação de todos os voos, contribuiu para o atraso no retorno de Juliana ao país. G1

















