Monumento histórico e preservado até os dias atuais, o Castelo Garcia D’Ávila, localizado no município de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador, é um dos resquícios históricos da luta pela Independência do Brasil na Bahia, celebrados neste 2 de julho.
O castelo abrigou centenas de indígenas durante as lutas para expulsar os portugueses da Bahia e representou um ponto importante para as tropas revolucionárias. Mas, apesar de terem lutado diretamente contra as tropas portuguesas, os povos indígenas da região tiveram a contribuição histórica diminuída, em meio ao destaque para a família portuguesa responsável por gerir o castelo.
Desde a chegada dos portugueses no Brasil, a construção desempenhou um papel estratégico na proteção do país de ameaças estrangeiras. Por muitos anos, esse processo foi liderado pelos Garcia D’Ávila, que utilizavam tropas formadas majoritariamente por indígenas Tupinambá para proteger a região.
Segundo o historiador, pesquisador e sócio-efetivo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Diego Copque, a relação entre a família e os indígenas começou por meio dos aldeamentos de padres jesuítas na região do Recôncavo Norte — que hoje compreende os municípios de Camaçari, Lauro de Freitas, Dias D’Ávila e Mata de São João.
Esses espaços iam além da colonização dos povos indígenas por meio da conversão forçada ao catolicismo. Os originários eram preparados para atuar como um cinturão de defesa à Salvador.
O historiador pontua que isso aconteceu muito antes das lutas do Dois de Julho, mas foi essencial para que a propriedade da família Garcia D’Ávila, conhecida como a Casa da Torre, desempenhasse um importante papel na derrubada dos portugueses.
Em fevereiro de 1822, por exemplo, um conflito entre baianos e lusitanos levou um grupo militar ao Recôncavo Norte. Com a presença de negros e mestiços em sua formação, esse grupo revoltoso foi responsável por plantar o clima de guerra entre baianos e portugueses.
“Eles promoveram saques na região e disseram que estavam descendo para a Casa da Torre e que lá eles iriam receber orientação do chefe da Casa da Torre, o Coronel Santinho (Visconde de Pirajá), e iriam voltar para a capital [para] expulsar os portugueses, tomar a cidade e colocar fogo em todos as casas comerciais dos portugueses que estivessem sediados na Conceição da Praia”, explicou o pesquisador.
Inicialmente, o grupo foi rechaçado pelos portugueses, que conseguiram enfraquecê-los politicamente por um período. Mas, depois de um tempo, os revoltosos definiram a Casa da Torre como um centro para as revoltas, fortalecendo o local como ponto de encontro para as tropas que combateriam os portugueses fixados em Salvador. G1

















