Wagner Lopes | CC

O senador Jaques Wagner marcou mais um gol de placa em seu PT, repetindo a atuação da primeira eleição para o comando do partido para o que influenciou decisivamente, há seis anos. O novo presidente da agremiação eleito no princípio desta semana para um mandato de quatro anos, Tássio Brito, para além de um representante histórico do MST, é um nome do senador petista, escolhido diretamente por ele para concorrer à sucessão do wagnerista Eden Valadares, apesar das ressalvas, no próprio partido, do peso de seu vínculo social mais expressivo, com o movimento dos Sem Terra, um cartão de visitas difícil para negociações partidárias.

Sob a liderança de Tássio e a maioria da executiva do PT, eleita no mesmo pleito, Wagner vai, exatamente como fez a partir de 2019, ditar as regras sobre o futuro do partido, em especial a sucessão estadual do ano que vem, com repercussões nítidas entre os aliados. É possível intuir, por exemplo, que ele deve liderar, como fez em 2022, em benefício da manutenção do petismo no comando do Estado, o processo de montagem da chapa governamental à sucessão estadual. Ali, foi Wagner que garantiu que o partido teria candidato, embora o nome de Jerônimo Rodrigues para o governo tenha sido escolhido pelo então governador Rui Costa.

Não há dúvida de que foi com este propósito que Wagner fez questão de se envolver na sucessão partidária de agora. A partir do resultado da eleição do PT do último domingo, pode-se dizer que o futuro político do ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa, permanece em suas mãos, sob controle total. Rui só será candidato ao Senado, um desejo antigo do ministro chefe da Casa Civil, que ele foi obrigado a engolir por ocasião do conturbado processo de montagem da chapa há dois anos, se o partido, atendendo a uma orientação do senador, quiser. É o mesmo que dizer que caberá a Wagner negociar com o senador Otto Alencar (PSD) a montagem da chapa.

Otto dá sinais de que não aceita que o amigo de fé e irmão camarada Angelo Coronel seja preterido na disputa à reeleição ao Senado em favor de Rui. E quem garante que a insatisfação do cacique do PSD não seja um jogo combinado com Wagner, a quem caberá, ao final, decidir quem fica ou desce do palanque? Ao hoje ministro da Casa Civil, restará rezar para que o presidente Lula interceda em seu favor, obrigando Wagner, mesmo sob o risco de um eventual rompimento com o PSD, o que pode ser desastroso para Jerônimo, o sacrificador Coronel em nome do apoio a Rui. Em Salvador, onde Wagner influiu menos, o resultado da eleição aponta em direção à Prefeitura.

A nova presidente do partido na capital baiana, Ana Vitória, foi eleita sob o compromisso de acampar o projeto do deputado estadual Robinson Almeida de concorrer à sucessão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) em 2028, para o que pretende, a partir de agora, tentar centrar fogo na administração municipal. Neste sentido, o partido fez uma profunda reflexão a partir do desastre representado pelo apoio ao candidato do MDB nas últimas eleições, o que foi uma imposição de Wagner, cujo propósito, se não ficou claro até hoje para a massa petista, deixou um rastro de destruição e frustração na legenda que só o tempo ajudou a superar. Artigo do editor Raul Monteiro publicado na Tribuna de hoje.