Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que foi vice-presidente na gestão Jair Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (15) que Donald Trump não deveria “meter o bedelho” na situação do ex-presidente na Justiça brasileira.

A fala aconteceu durante reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, que debateu sobre a tarifa de 50% aplicada pelo presidente americano a produtos brasileiros.

“Não aceito que o Trump venha meter o bedelho num caso que é assunto interno nosso”, afirmou Mourão.

Durante sua fala, Mourão ainda disse que o presidente Trump está “atentando” contra a liberdade, o comércio exterior e a tradição diplomática dos EUA.

“Desde que o novo presidente tomou posse nos Estados Unidos, ele partiu para uma linha de ação de usar o poder bruto que o país tem. De coerção e dinheiro e abandonou o soft power (poder suave) com que os EUA atuou durante muitos anos na sua política externa”, disse.

Em seguida, o senador defendeu Bolsonaro e chamou de “injustiça” os processos aos quais o ex-presidente responde.

“Há uma injustiça sendo praticado, mas compete a nós brasileiros resolvermos isso”, concluiu.

Antes da fala na comissão do Senado, o ex-vice-presidente se pronunciou numa rede social sobre o pedido de condenação de Jair Bolsonaro pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

“A manifestação do PGR, pedindo a condenação de Jair Bolsonaro e assessores, já era esperada em um processo claramente político e com a única finalidade de tirar o ex-presidente do contexto político nacional”, disse Mourão.

Jogo de ‘perde-perde’

Além de Mourão, outra parlamentar que esteve no governo Bolsonaro, senadora Tereza Cristina (PP-MS), chamou a decisão do governo Trump como de “perde-perde”, quando ambas as partes tendem a se prejudicar

“O jogo de perde-perde que serão essas tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros e, se nós, também formos colocar sobre os produtos importamos, que são tão importantes para a economia brasileira”, afirmou.

Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, e relatora do projeto que cria a possibilidade de uma taxa de reciprocidade, ainda afirmou que o Brasil tem “argumentos” e “credibilidade” para recorrer à situação.

“Nós, agora, como brasileiros, precisamos trabalhar em conjunto, unidos, para que possamos minimizar esses desastres que serão essas tarifas”. G1