O republicano também indicou que o Brasil tem um déficit comercial com os norte-americanos, mas dados do Ministério do Desenvolvimento brasileiro e do próprio Departamento de Comércio dos Estados Unidos indicam que o país compra mais do que vende para os EUA há mais de 15 anos, desde 2009.
‘Brasil é um país soberano’
Após o anúncio, o presidente Lula afirmou que o Brasil é um país soberano e “não aceitará ser tutelado por ninguém”.
O petista também chegou a indicar que o aumento unilateral de tarifas sobre exportações brasileiras seria respondido com base na Lei da Reciprocidade Econômica, mas depois, em entrevista ao Jornal Nacional, disse que o Brasil só utilizará a lei “quando necessário”.
“O Brasil vai tentar, com outros países, fazer com que a OMC [Organização Mundial do Comércio] tome uma posição para saber quem é que está certo ou que está errado.
A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando ele começa a taxar o Brasil”, disse o presidente a época.
A tensão comercial entre os dois países tem trazido preocupação a empresários e investidores brasileiros e norte-americanos.
Na terça-feira, a Câmara de Comércio dos EUA e a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) divulgaram uma nota conjunta, na qual afirmaram que a taxa elevaria os custos para as famílias e afetarias as empresas norte-americanas.
Além disso, nesta semana, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, fez reuniões com representantes da Indústria e do Agronegócio para discutir alternativas ao tarifaço.
Já nesta quarta-feira, o governo Lula enviou uma nova carta a Trump. No documento, o governo manifestou “indignação” com a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, informou estar disposto a negociar e cobrou resposta a outra mensagem enviada em maio.
A nova carta é assinada por Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Membros do governo já indicaram, no entanto, que Trump ainda não deu sinais de que quer abrir uma negociação formal sobre a tarifa imposta ao Brasil. G1