De janeiro de 2024 a julho de 2025, foram registrados quatro acidentes envolvendo embarcações que transportam passageiros na área de jurisdição da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA). O caso mais recente aconteceu na última terça-feira (22), quando um catamarã ficou à deriva após colidir com um barco pesqueiro, no trecho de Cacha Pregos, na Ilha de Itaparica, situada na região da Baía de Todos-os-Santos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, no total, 96 passageiros e quatro tripulantes estavam no catamarã, que saiu de Morro de São Paulo com destino a Salvador; e dois pescadores estavam na embarcação de pesca artesanal. Não houve registro de feridos. O acidente aconteceu a 9 km da costa de Cacha Pregos.

De acordo com a Capitania dos Portos da Bahia, a imprudência de condutores, com manobras arriscadas, excesso de velocidade e falta de atenção, é a principal causa das ocorrências. No caso do acidente no trecho de Cacha Pregos, as causas, circunstâncias e eventuais responsabilidades serão apuradas por meio de um inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), instaurado pela Capitania.

Conforme a Marinha do Brasil, o órgão fiscaliza e ordena, diariamente, o tráfego aquaviário na sua área de jurisdição, que inclui o litoral baiano, além de rios, baías e lagoas navegáveis. As fiscalizações são feitas por inspetores navais e incluem:

  • verificação se a habilitação do condutor é compatível com o tipo da embarcação, que deve ser inscrita na Capitania dos Portos;
  • investigações sobre a existência e o estado dos equipamentos de salvatagem (coletes salva-vidas e boias), regularidade dos extintores de incêndio, luzes de navegação, lotação e as condições gerais da embarcação;
  • testes de etilômetro (bafômetro), que medem o nível de álcool no sangue, tendo em vista que é proibido o consumo de bebidas alcoólicas durante a condução de embarcações.

testes de etilômetro (bafômetro), que medem o nível de álcool no sangue, tendo em vista que é proibido o consumo de bebidas alcoólicas durante a condução de embarcações.
Além das ações diárias de fiscalização do tráfego aquaviário, a Capitania dos Portos disse que realizou, entre os dias 4 e 14 de julho, a segunda fase da Campanha Travessia Segura.

A operação, de abrangência nacional, é coordenada pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) e tem como foco a fiscalização de embarcações utilizadas no transporte de passageiros e no turismo náutico. Em 2025, até quarta-feira (23), 1.775 embarcações foram inspecionadas e, destas, 200 foram notificadas, 26 apreendidas e 47 retiradas do tráfego.

A Capitania dos Portos detalhou que, somente no mês de julho, o catamarã batizado de Morro de São Paulo, envolvido no acidente no trecho de Cacha Pregos, foi inspecionado três vezes por militares da CPBA. A empresa Biotur, responsável pelo catamarã, está regularizada e tem autorização para realizar o transporte de passageiros entre Salvador e Morro de São Paulo. Após o acidente, a embarcação naufragou parcialmente. No entanto, o proprietário já realizou o procedimento de reflutuação, que consiste em içar o veículo submergido de volta à superfície e a embarcação se encontra atracada.

Resgate de passageiros em Cacha Pregos

Após o acidente no trecho de Cacha Pregos, dois rebocadores — tipo de embarcação usada para auxiliar embarcações maiores em manobras de atracação — prestaram apoio no resgate de tripulantes e passageiros. Os equipamentos já operavam próximo ao local da batida, quando tudo aconteceu.

De acordo com o Grupamento Aéreo da Polícia Militar da Bahia (Graer), os passageiros foram resgatados do mar e transportados ao Porto de Salvador, onde foram acolhidos, receberam atendimento médico e suporte emocional às vítimas que estavam bastante emocionadas. A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) também deu suporte à operação. Os pescadores envolvidos na colisão foram levados à localidade de Caixa Pregos com apoio da Marinha do Brasil.

A Força Militar disse que, assim que tomou conhecimento do fato, o Comando do 2º Distrito Naval acionou o Centro de Coordenação do Serviço de Busca e Salvamento Marítimo do Leste (Salvamar Leste) e determinou o imediato deslocamento de lanchas e equipes da Capitania dos Portos da Bahia, bem como do Aviso-de-Patrulha “Dourado”, Navio-Patrulha “Guaratuba” e Corveta “Caboclo”, subordinados ao Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Leste.

O objetivo da ação foi prestar assistência às embarcações envolvidas e conduzir as ações de busca e resgate. Paralelamente, foi ativado o Plano de Auxílio Mútuo, que mobilizou embarcações navegando nas imediações para colaborar com os esforços de socorro. A operação contou ainda com o apoio integrado do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBM-BA), do Graer, da Praticagem da Bahia e de embarcações civis que atuam na região.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram encaminhadas para o Terminal Náutico da Bahia, em Salvador, onde aguardaram a chegada dos passageiros. O terminal disse, em nota, que as atividades estão funcionando normalmente. Também por meio de nota, a Biotur disse que a embarcação tem capacidade para 131 passageiros e transportava 94 adultos e três crianças menores de seis anos. O acidente ocorreu após uma hora e vinte minutos de viagem. O catamarã havia saído de Morro de São Paulo às 11h30 e o trajeto para Salvador costuma ter um tempo médio de 2h30.

“Graças à pronta atuação da equipe, que seguiu rigorosamente todos os protocolos de segurança, a evacuação foi realizada de forma controlada, com o uso correto dos coletes salva-vidas e embarque em balsas, sempre sob orientação da tripulação. A Capitania dos Portos foi acionada imediatamente, e embarcações de apoio — tanto de Salvador quanto de Morro de São Paulo — foram mobilizadas para o resgate”, disse a empresa. G1