Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A percepção dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) é que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi para o “tudo ou nada” em relação às manifestações do último domingo (3), provocando a sua prisão domiciliar.

Isso porque o entendimento dentro do Supremo é que, com a proximidade do julgamento da tentativa de golpe de Estado e a compreensão de que o “cerco está se fechando” para o ex-presidente, a única solução possível seria politizar cada vez mais as ações penais.

Bolsonaro estaria se respaldando em medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer um enfrentamento ao STF.

Considerando que todas as determinações da Justiça estavam bem explicitadas, Moraes não teve outra alternativa a não ser endurecer a resposta.

Pressão sobre julgamento

O entendimento dentro da Corte é que novas tensões devem ocorrer até o julgamento, previsto para setembro. O importante, neste momento, é não perder o foco do principal, que é o julgamento do núcleo crucial da tentativa de golpe, ação penal na qual Bolsonaro é réu.

A percepção é que todos os atos dos apoiadores do ex-presidente têm o objetivo de desviar esse foco. Os integrantes do Supremo, porém, estão cientes de que novas sanções devem ser impostas pelos Estados Unidos, inclusive a ministros da Suprema Corte.

Mas avaliam que, a essa altura do campeonato, não há muito o que se fazer. Tais movimentos, claramente têm como objetivo intimidar o Supremo, e por isso mesmo, foi aberto um inquérito da Polícia Federal para investigar tentativas de obstrução de Justiça.

Na avaliação de ministros da Suprema Corte, tudo que está acontecendo — atos, manifestações e tentativas de pressão de autoridade estrangeiras — servirão apenas para enriquecer um arcabouço robusto de provas contra o ex-presidente e aliados. G1