A espera por adoção na Bahia é grande, e a maioria desses meninos e meninas em busca de famílias são adolescentes — faixa etária que não costuma ser buscada pelos adultos que estão em processo de acolhimento.
Até o mês passado, a disponibilidade era de 258 crianças e adolescentes, sendo 89 com mais de 14 anos. Atualmente, segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o número é de 203 em geral e 62 com 15 anos ou mais.
Nesse grupo, está uma adolescente que usou as redes sociais recentemente para procurar uma família. A jovem, que teve o nome preservado, conversou com a TV Bahia e falou sobre o sonho da adoção.
Nascida em um contexto familiar delicado, a adolescente teve uma mãe dependente química e um pai desconhecido. Quando ainda era um bebê, uma tia procurou uma instituição e a entregou, com o irmão. Até a adolescência, a menina chegou a ficar com duas famílias, sendo uma em Pernambuco e outra no interior da Bahia, até que foi devolvida à mãe, perdendo o contato com o irmão.
“Foi muito difícil, porque minha mãe tinha os vícios dela. Então, ela me batia muito, ela me levava para lugares que eu não podia e não queria que eu estudasse, não queria que eu falasse para ninguém daquele sofrimento, e eu não aguentava mais sofrer aquilo”, contou.
Atualmente, a adolescente vive na instituição que integra a Fundação Cidade Mãe, em Salvador, onde outros jovens em situação de vulnerabilidade aguardam por adoção. No vídeo compartilhado nas redes sociais, além de tentar sensibilizar possíveis pais, ela também chama atenção para o problema.
“Acordar as pessoas para a realidade, né, porque elas escolhem mais bebês do que adolescentes, e os adolescentes que estão hoje em instituição são pessoas que querem o amor, que querem ser acolhidas por famílias, e as pessoas, infelizmente, não enxergam isso”, afirmou.
“Acaba que eles sofrem muito, ficam muito tempo no abrigo e, quando saem, não têm nenhuma rede de apoio”, completou. Uma realidade reforçada pela diretora da Fundação, Isabela Almeida. “Infelizmente, o que se verifica na Justiça hoje são meninas, bebês e brancas. Esse tem sido o perfil mais procurado hoje”.
“As crianças e adolescentes que se encontram conosco têm um perfil definido, que, infelizmente, é o esteriótipo da pobresa. São adolescentes, são negros, são meninos que a partir de 12, 13 anos, já estão conosco há um tempo maior, e com uma redução cada vez maior da possibilidade de serem inseridos em uma família”, destacou. G1

















