Mario Agra / Câmara dos Deputados

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro pode redefinir o cenário político na Bahia para 2026, ampliando tensões entre a base governista e a oposição. O episódio tende a reorganizar alianças, fortalecer discursos de perseguição e influenciar diretamente a disputa pelos governos estaduais e pela Presidência.

Uma das vozes mais atuantes do Partido Liberal (PL-BA) na Câmara, o deputado e vice-líder da oposição, Capitão Alden, falou com exclusividade ao bahia.ba sobre as projeções do PL para o pleito do ano que vem.

O parlamentar criticou parte da imprensa e setores da esquerda que, segundo ele, decretaram o fim do bolsonarismo após a prisão do ex-presidente. “Mesmo diante de perseguição, censura, prisões e condenações, o bolsonarismo continua vivo, firme e com fôlego para resistir além de qualquer liderança individual”, afirmou.

Alden lembrou ainda que Bolsonaro – mesmo enfrentando a “máquina do PT e a mídia” – recebeu mais de 2 milhões de votos na Bahia em 2022.

“Os atos recentes mostram que o povo segue mobilizado de forma espontânea, sem a estrutura milionária dos partidos tradicionais. Se o bolsonarismo fosse irrelevante, não incomodaria tanto. Movimentos baseados em família, fé e liberdade não desaparecem com perseguição”, disse.

O deputado reforçou que o bolsonarismo é uma corrente “social e cultural enraizada” e destacou que Bolsonaro segue forte eleitoralmente. “Se, com censura e perseguição, ainda lotamos ruas, isso é sinal de força, não de fraqueza.”

Alden também rebateu análises que preveem isolamento do PL. “Quando falam em ‘isolamento’, eu pergunto: isolados de quem? Do PT que domina a máquina pública? Do centrão dos conchavos? Esse isolamento é credibilidade”, provocou. “Somos milhões de brasileiros, e milhares de baianos, que não aceitam ser reduzidos a anistia, armas ou antipetismo.”

O parlamentar afirmou que o PL tem um conjunto de propostas que vão além do discurso ideológico, com pautas nas áreas de:

Educação: civismo, meritocracia, ensino técnico e financeiro;
Área social: fortalecimento da família, combate às drogas e menos dependência do Estado;
Economia: menos impostos, incentivo ao agro, apoio ao empreendedor e redução do ICMS de armas e munições;
Esporte: civismo, disciplina e patriotismo.

Na Bahia, apesar de defender candidatura independente do PL, justificando que “muitos acreditam que os votos de Bolsonaro, na ausência de um candidato, irão automaticamente para qualquer nome”, em outro cenário, o deputado não descartou a possibidade de João Romapresidente estadual do PL, fosse o escolhido para ser vice na chapa de Neto. “Particularmente, defendo que Roma fosse o vice. O PL tinha que estar na chapa do governo”, cogitou.

Atualmente, ACM Neto (União) é apontado como principal adversário do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa ao Palácio de Ondina em 2026.

Para o deputado, quem quiser o apoio do PL terá que dialogar com as lideranças e apresentar compromissos claros. “Bolsonarismo não é herança política. Voto bolsonarista não é espólio, não é patrimônio transferível, não é moeda de troca. É fidelidade a valores, não a conveniências”, disse. “Quem acha que esses votos ‘migram sozinhos’ não entende absolutamente nada da direita.”

O vice-líder da oposição reforçou que o eleitor bolsonarista não vota apenas por antipetismo. “Esse foi o erro da esquerda, achar que o conservador só quer tirar o PT”, afirmou.

Segundo ele, a base cobra: mérito, civismo, escola sem doutrinação; fortalecimento da família; segurança pública firme; menos impostos e mais liberdade econômica; defesa do agro; e disciplina no esporte.

“O candidato vai assumir isso? Vai comprar essa briga? Vai defender armamento? Menos impostos para armas? Se não for capaz, não leva voto nenhum”, pontuou, referindo-se aos acordos políticos com a oposição ao PT.

Quanto à reeleição dos quadros do partido – estaduais, federais e Senado – Alden disse que o PL não pode repetir erros do passado se quiser protagonismo em 2026.

“Precisamos de quadros leais, preparados, comprometidos com os valores do conservadorismo e respeitados pelas lideranças que mobilizam a base. Sem isso, não adianta ter voto. Voto sem princípios vira arma na mão do sistema. O PL precisa se organizar, filtrar e escolher melhor”, finalizou. Bahia.Ba