Foto: Bernardo Reggo / BNews

Novas vítimas registraram um boletim de ocorrência contra o personal trainer Maurício Brasil, investigado por importunação sexual, em Salvador, segundo informações da delegada Marita Souza, responsável pelo caso. Em entrevista à TV Bahia, a delegada informou que, além da enfermeira e influenciadora digital Maria Emília, outras mulheres denunciaram o profissional e, no total, nove queixas foram formalizadas.

“Precisamos que outras mulheres, que tenham sido vítimas, que elas venham para a delegacia e registrem para, a partir daí, instaure os procedimentos e investigar tudo, como manda a lei, e depois encaminhar para a Justiça”, falou a delegada Marita Souza. Conforme a delegada, Maurício Brasil será interrogado e as vítimas serão ouvidas na unidade policial.

Para a TV Bahia, Maria Emília Barbosa refletiu sobre a dimensão da violência contra a mulher após ouvir uma série de relatos semelhantes. Ela afirmou que, após tornar público o caso, recebeu mais de 40 mensagens de outras mulheres que dizem ter passado por abusos como o que ela sofreu.

Ela descreveu o impacto emocional após o episódio e criticou a lentidão no andamento da investigação. “Muito tempo a gente fica se questionando se realmente isso aconteceu, se é coisa da nossa cabeça, até realmente se concretizar um ato”, refletiu.

“Foram mais de 40 pessoas que entraram em contato comigo. Cada uma com sua subjetividade, mas com relatos muito parecidos com o meu. Relatos que mostram um mesmo modus operandi”.

A enfermeira também contou que recebeu mensagens da família do investigado após tornar o caso público. “A mãe dele entrou em contato comigo pedindo para que eu não falasse sobre ele no meio digital, porque a irmã trabalha com isso e citou até que o pai dele é do órgão judiciário”, afirmou.

Segundo ela, a irmã do personal também teria enviado mensagens ofensivas pelas redes sociais, chamando-a de mentirosa. “Esse foi o único contato que tive da outra parte até então”. A denúncia foi registrada uma semana após o episódio, e a vítima contou que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. “Infelizmente ainda não teve esse ouvir. Outras vítimas já prestaram depoimento, e ainda assim essa lentidão”.

A enfermeira fez um apelo para que outras mulheres procurem as autoridades. “Todo mundo que já passou por isso e reconhece realmente quem é a pessoa, que não fique só no Instagram. Que tenha coragem e vá até a delegacia denunciar. A gente só vai ter voz se estivermos juntas”, afirmou.

Ela destacou ainda que muitas das mulheres que a procuraram têm medo ou vergonha de revelar o que passou, inclusive para familiares e parceiros. “Tem meninas que nem sequer tiveram coragem de contar aos noivos, aos maridos, aos namorados. Então, o outro lado tem que pensar nas outras famílias antes de acontecer o que aconteceu”. G1