Uma sala usada pela direção estadual do PDT está entre os oito endereços que foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos na nona fase da Operação Overclean, deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal (PF) para apurar suspeitas de envolvimento do deputado federal Félix Mendonça Júnior, presidente do partido na bahia, com o esquema de desvios de emendas parlamentares. Trata-se de um escritório situado no Edifício Vasco da Gama Plaza, localizado no Acupe de Brotas. Não se trata, porém, da sede oficial da sigla em Salvador, situada na Mouraria, e sim um imóvel empresarial utilizado pela legenda, de acordo com fontes ligadas à investigação.
Ligação de pontas
Conforme apurou a Metropolítica, a sala é a mesma que abriga o escritório de Félix Júnior na capital, cujo aluguel é pago com verbas públicas da Câmara dos Deputados, por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, mais conhecido como Cotão. Trata-se do tipo de caixa utilizado para cobrir despesas relativas ao trabalho de cada integrante do Congresso Parlamentar, incluindo aluguel de carro, combustíveis, passagens aéreas, hospedagem, alimentação, telefone, internet e divulgação, entre outras.
Área nobre
Além do imóvel no Vasco da Gama Plaza, onde estão os endereços das construtoras MRM e Ankara, das quais o parlamentar é sócio, a PF cumpriu mandados na residência do deputado, localizada no luxuoso condomînio Mansão Wildberger, na Vitória; em um escritório usado por Félix Júnior no Edifício Empresarial Manoel Gomes de Mendonça, construído pela MRM no Pituba Ville; em uma sala no Salvador Shopping Business, na região da Tancredo Neves; e no apartamento funcional ocupado por ele em Brasília, mais precisamente na Asa Sul.
Pista e praia
A Overclean visitou ainda uma residência de alto padrão no Condomínio Horizontal Pedra da Marca, na Avenida Cardeal da Silva, e em duas casas de veraneio ligadas ao cardeal do PDT baiano. Uma na Praia do Forte, e outra na Penha, tradicional balneário de classe média alta da Ilha de Itaparica. Em todos os oito endereços, foram recolhidos documentos, smartphones, incluindo o do próprio Félix Júnior, e demais dispositivos eletrônicos.
Batom na gola
Ainda de acordo com fontes com acesso a detalhes da operação, os mandados de busca e apreensão expedidos nesta terça já constavam no pedido relativo à quarta fase da Overclean, realizada em 27 de junho, quando o nome do deputado pedetista apareceu pela primeira vez no radar do cerco a desvios de emendas através de contratos com prefeituras do interior. O Supremo Tribunal Federal havia negado a solicitação inicialmente, mas o teor dos documentos e a análise dos celulares apreendidos levaram a Corte a autorizar as buscas.
Fala, Félix!
Em nota à imprensa, Félix Júnior se disse surpreendido com a nova ação da PF e afirmou que, desde o início, “tem colaborado integralmente com as investigações”. “O parlamentar lamenta, entretanto, a morosidade de investigações dessa natureza, que comprometem reputações e causam prejuízos políticos, especialmente em ano eleitoral, motivo pelo qual defende que a apuração ocorra de forma célere e responsável”, destaca a nota, ao assegurar ainda que “jamais negociou a execução de emendas parlamentares, nunca indicou empresas e não exerce qualquer função de ordenador de despesas”. Metro1

















