© Ruslanas Baranauskas/Divulgação

Sempre que surge a notícia de uma onda de casos envolvendo um vírus pouco conhecido, a pergunta que surge quase automaticamente é: estamos diante de uma nova ameaça pandêmica? Neste caso, o vírus Nipah costuma ocupar esse lugar no debate público.

Associado a quadros clínicos graves e a altas taxas de letalidade, ele é frequentemente citado como um dos patógenos mais preocupantes do ponto de vista científico. Mas preocupação não é sinônimo de pânico — e entender essa diferença é essencial.

Em janeiro de 2026, as autoridades de saúde da Índia notificaram à Organização Mundial da Saúde (OMS) dois casos laboratoriais confirmados de infecção pelo Nipah no estado de Bengala Ocidental.

Os casos ocorreram em profissionais de saúde do mesmo hospital em Barasat, com sintomas iniciados no fim de dezembro de 2025 e confirmados em 13 de janeiro — um dos pacientes melhorou, o outro permanece sob cuidados críticos.

Desde então, mais de 190 contatos foram rastreados e testados negativamente até o momento, sem detecção de transmissão comunitária.

A OMS classifica o risco como moderado no âmbito subnacional e baixo nos níveis nacional, regional e global, e não há indicação de disseminação fora de território indiano associada a esse evento.

Em resposta, países vizinhos e alguns aeroportos asiáticos reforçaram medidas de triagem e vigilância sanitária — reforçando, assim, a capacidade de resposta, mas sem sinais de propagação sustentada do vírus fora do quadro isolado em Bengala Ocidental.

Identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto na Malásia, o vírus Nipah é um vírus zoonótico do gênero Henipavirus, da família Paramyxoviridae. Seu reservatório natural são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, amplamente distribuídos no sul e sudeste da Ásia.

Desde então, surtos têm sido registrados principalmente em Bangladesh e na Índia, geralmente de forma localizada e com número limitado de casos humanos.

Do ponto de vista clínico, trata-se de um vírus capaz de produzir sintomas graves. A infecção pode causar encefalite aguda, insuficiência respiratória e rápida evolução para óbito, com taxas de letalidade que variam entre 40% e 75%, dependendo do surto e do acesso aos serviços de saúde.

Essa gravidade explica por que o Nipah integra listas internacionais de patógenos prioritários para pesquisa e desenvolvimento de vacinas e terapias. G1