Foto: Reprodução/Karolina Grabowska/Pexels

Conhecer as leis e os mecanismos de defesa é o primeiro passo para a mulher romper com os ciclos de violência. O dia dedicado ao público feminino, celebrado no último domingo, 8, traz em si um grande questionamento: como o estado tem protegido as mulheres, que são alvo de constantes agressões?

De janeiro ao dia 8 de dezembro, a Bahia contabilizou 97 feminicídios, isto é, crime tipificado como homicídio motivado pela condição de gênero da vítima. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) no final de 2025.

Entre as cidades que mais registraram as agressões são:

  • Salvador: com 10 casos durante o período;
  • Feira de Santana: com cinco casos;
  • Camaçari: com quatro casos.

O abismo entre “ouvir falar” e conhecer a Lei Maria da Penha

A maioria dos brasileiros já ouvir falar da Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. O que chama atenção, contudo, é que apenas 24% das mulheres dizem ter o conhecimento efetivo sobre o tema.

Outras 75% das brasileiras afirmam conhecer pouco ou nada sobre a legislação, mesmo com quase 20 anos da medida adotada. Isso é o que mostra a 10ª edição da Pesquisa Nacional de Violência Contra a Mulher, realizada pelo Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) e o Instituto DataSenado, ambos do Senado, publicada em 2024.

Mas, o que é a Lei Maria da Penha?

A Lei Maria da Penha é considerada um marco na legislação brasileira para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. A medida se aplica a todo o tipo de agressão, que são consideradas crimes, bem como:

  • Violência física;
  • Violência emocional ou psicológica;
  • Violência sexual;
  • Violência patrimonial;
  • Violência moral.

A lei diz que os casos devem ser apurados por meio de um inquérito policial, e, após o processo será remetido ao Ministério Público.

Conheça as 5 leis de defesa e apoio às mulheres na Bahia

O estado da Bahia também sancionou regras específicas para amparar as vítimas e criar uma rede de apoio que pune o agressor. O portal A TARDE separou cinco mecanismo de defesa que coibem e servem de amparo contra a violência, são eles:

Lei dos Condomínios (Lei nº 14.278/2020):

A legislação, promulgada pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), obriga os condomínios residenciais a comunicar ocorrência de casos de violência doméstica e familiar contra mulheres, crianças, adolescentes ou idosos. Os condomínios são obrigados a fixarem cartazes, placas ou comunicados sobre a lei nas áreas de uso comum.

Lei da Parada Segura (Lei nº 9.757/2023):

Permite que as mulheres embarquem e desembarquem fora dos pontos de ônibus em Salvador entre os horários de 21h e 5h da manhã.

Lei do Sinal Vermelho (Lei nº14.353/2021):

A vítima mostra um “X” vermelho na mão a um atendente em locais conveniados, como farmácias, hotéis, restaurantes, supermercados etc. A campanha abrange estabelecimentos públicos e privados, como portarias de condomínios, restaurantes e repartições.

Programa de Atenção às Vítimas de Estupro (Lei nº 14.235/2020):

A regra garante que o Estado ofereça um atendimento completo e humanizado para quem sofreu violência sexual. De forma mais clara: pela lei, o hospital deve atender a vítima de estupro imediatamente, mesmo que ela ainda não tenha ido à delegacia

Como denunciar ou buscar ajuda na Bahia?

Se você ou alguém que você conhece está em perigo, utilize os canais oficiais:

  • Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180.
  • Polícia Militar: Ligue 190.
  • Zap Respeita as Mina: (71) 3117-2810 (atendimento via WhatsApp). A Tarde