Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou que o Brasil vive um cenário de “barbárie” diante da violência contra mulheres. A declaração foi feita na quarta-feira (11), durante o evento “Todas e Todos Contra o Feminicídio”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília.

“Matam crianças, matam meninas fisicamente, socialmente, intelectualmente, psiquicamente. Isto não é uma civilização. Isto é barbárie”. A ministra citou dados que indicam que uma mulher é assassinada no Brasil a cada menos de seis horas apenas por ser mulher.

Durante a fala, Cármen Lúcia também relembrou uma decisão do Supremo, tomada em março de 2025, que declarou inconstitucional o uso do argumento de “defesa da honra” em casos de feminicídio.

A ministra criticou estratégias jurídicas que tentam desqualificar a vítima para justificar o crime. “Advogados atacavam a vida da mulher assassinada, e muitas vezes o réu era absolvido sob aplausos depois de matar com tiros no rosto”, disse.

Cármen também usou a metáfora da “gata borralheira” para descrever o confinamento histórico das mulheres ao espaço doméstico, enquanto homens ocupam espaços de decisão e influência. “Os clubes de charuto continuam ainda hoje. Os homens se reúnem, se apresentam e depois são promovidos porque já conhecem quem vai nomear”, afirmou.

Segundo a ministra, a realidade das mulheres ainda é marcada pela dupla ou tripla jornada de trabalho. “Nós queremos ser amigas, passear, viver. Não queremos ser guerreiras o tempo todo, porque isso cansa”, disse. “Sem mulheres não há democracia”, completou Carmen, que finalizou citando a escritora Conceição Evaristo: “Combinaram de nos matar e nós combinamos de não morrer”. Bocão News