Foto: Antonio Augusto/STF

Uma articulação em curso nos bastidores do poder busca construir uma saída para o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio ao avanço da crise relacionada ao caso Banco Master. Segundo reportagem do jornal O Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado para tentar convencer o magistrado a se licenciar da Corte, numa tentativa de evitar desgastes ainda maiores para o tribunal e para o ambiente político em Brasília.

De acordo com a publicação, Lula tem recorrido a pessoas próximas de Toffoli para defender que o ministro se afaste temporariamente alegando razões de saúde e, no médio prazo, considere até mesmo deixar o STF em definitivo. A avaliação, segundo interlocutores ouvidos pelo Globo, é que o caso ainda pode produzir novos desdobramentos capazes de ampliar o desgaste institucional da Corte.

A preocupação no Planalto decorre da percepção de que o material já tornado público sobre a relação de Toffoli com o grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode não encerrar a crise. Segundo a reportagem, Lula teria dito a aliados que o que apareceu até aqui seria apenas parte de um problema mais amplo, e que outros episódios ainda poderiam vir à tona.

Toffoli, porém, tem resistido à pressão. Ainda de acordo com O Globo, o ministro afirma a interlocutores que não pretende se afastar do cargo e sustenta que não há risco de surgirem novas informações comprometedoras além daquelas já apresentadas pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro.

O documento da PF citado na reportagem menciona transações do ministro com o grupo de Vorcaro. Entre elas, está o pagamento de R$ 35 milhões por uma fatia do resort do qual Toffoli é sócio. Pressionado por colegas da Corte, o ministro deixou a relatoria do caso Master. Mesmo assim, Fachin decidiu arquivar o processo que tratava da suspeição do colega.

Indicado ao Supremo por Lula durante seu segundo mandato, Toffoli ainda poderia permanecer no tribunal até 2042, quando completará 75 anos e atingirá a aposentadoria compulsória. Por isso, qualquer movimento envolvendo seu afastamento, ainda que temporário, tem enorme peso político e jurídico. Brasil247