© Valter Campanato/Agência Brasil

O fechamento dos supermercados aos domingos no Espírito Santo tem provocado mudanças na rotina de trabalhadores do setor. A medida, que também impacta consumidores e empresários, alterou escalas, horários e a organização da vida fora do trabalho.

A mudança começou no dia 1º de março, atingindo 1.500 lojas e mais de 70 mil trabalhadores nos 78 municípios capixabas. O modelo será reavaliado em novembro, mas já foi adotado no estado entre 2009 e 2018.

Como mostrou o g1, o fechamento aos domingos é resultado de uma combinação de fatores: baixo faturamento, dificuldade para contratar e montar escala de funcionários. A mudança foi definida na Convenção Coletiva de Trabalho assinada entre a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado Espírito Santo (Fecomércio-ES) e o Sindicato dos Comerciários.

A partir desse acordo, os trabalhadores terão uma folga obrigatória aos domingos. Antes, essa única folga por semana (já que trabalham em uma escala 6×1) era feita em um dia útil, geralmente de segunda a quinta-feira.

O Espírito Santo é o único estado do país com acordo coletivo que suspende o funcionamento do segmento neste dia da semana, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Para entender como essa mudança impactou a rotina de quem trabalha no setor, a reportagem ouviu funcionários de uma rede de supermercados do Espírito Santo.

As opiniões são divididas:

  • Folga aos domingos: alguns trabalhadores comemoram, já que é quando a maioria das pessoas também está de folga, o que permite passar mais tempo com a família e amigos;
  • Falta de um dia útil livre: outros sentem dificuldade para resolver pendências do dia a dia, como ir ao banco, ao cartório ou até cuidar de questões pessoais, como unhas e cabelo em salões de beleza.

Mais tempo com a família e amigos

A operadora de caixa, Amanda Pessoa, foi uma das que comemorou a mudança por sentir que tem mais tempo para curtir com a família e amigos. “Tenho aproveitado para descansar, ver os amigos, que no meio de semana era mais corrido. O domingo é muito bom, porque você pode ir na igreja tranquila, por exemplo”, disse.

Quem também sentiu melhora no tempo de qualidade com a família foi a atendente Jéssica da Silva Santana. Agora, ela consegue passar o domingo com o marido. “A gente conseguiu colocar a folga para o mesmo dia pra ficar um pouco junto. A gente não tinha muito aquele contato, pra poder aproveitar acompanhado um do outro. Porque a gente chega cansado e só quer dormir”, afirmou. G1