A ex-namorada de Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, suspeito do feminicídio da modelo baiana Ana Luiza Mateus, no Rio de Janeiro, afirmou que foi vítima de violência durante o relacionamento com ele.

Ana Luiza morreu após cair do 13° andar de um prédio localizado no Bairro da Tijuca, na quarta-feira (22). Endreo Ferreira foi preso em flagrante, suspeito do feminicídio, ainda na quarta-feira. Horas depois, ele tirou a própria vida na cadeia.

Em entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Bahia, na quinta-feira (23), a mulher, que é do estado do Mato Grosso do Sul e preferiu não se identificar, relatou episódios de sequestro, agressões físicas e ameaças de morte há cerca de seis meses.

“Ele me sequestrou, me levou para casa dele e me manteve em cárcere privado por quase 24 horas, preferindo ameaças, e tentou me matar. Eu tive traumatismo craniano no rosto em dois lugares e foram horas de muito medo. Foram diversos socos no rosto e no corpo. Ele tentou me matar asfixiada com um cinto”, contou.

Segundo a mulher, após as agressões, ela foi obrigada a gravar um vídeo sob coerção. “Depois disso ele fez um vídeo meu todo ensaguentada onde ele fazia com que eu falasse para ele todas as coisas que ele queria ouvir”, falou a mulher.

Ela também descreveu o comportamento do suspeito. “Ele era extremamente ciumento, possessivo, ele tinha muito ciúme das minhas redes sociais porque eu sempre fui uma pessoa muito ativa por conta do meu trabalho. Eu uso muito as redes sociais e isso era algo que incomodava ele extremamente”. A ex-namorada disse que o relacionamento durou entre 3 a 4 meses e decidiu terminar a relação após perceber o comportamento dele.

“Eu também tive um relacionamento muito breve com o Endreo e, quando eu comecei a perceber todos esses sinais, tentei me distanciar e ficar o mais longe possível dele, mas mesmo assim ele passou ainda meses me perseguindo me ameaçando”, relatou. A mulher contou que chegou a ficar internada e registrou ocorrência após conseguir fugir. “Quando consegui fugir da casa, pedi ajuda, registrei a ocorrência, o Ministério Público solicitou a busca e apreensão, mas ele nem chegou a ser preso. Ele se apresentou na delegacia e saiu pela porta da frente.”

Ela também relatou que o suspeito se apresentou à polícia enquanto ela ainda estava internada. “Menos de 24 horas após o caso, eu ainda estava internada, ele se apresentou na delegacia com os advogados dele. A família dele é de muitas posses aqui no estado do Mato Grosso do Sul, então eles rapidamente buscaram os melhores profissionais para auxiliar ele nisso e, como ainda não havia sido expedido o mandado de prisão, ele foi embora e a partir disso ele sumiu”. G1