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João Teixeira de Faria, de 83 anos, conhecido como João de Deus, é um líder religioso que ficou conhecido por realizar cirurgias espirituais em milhares de pessoas. Em 2018, a cidade de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, se chocou com as denúncias de abuso sexual e estupro feitas contra ele por dezenas de mulheres.

A reportagem procurou a defesa de João de Deus, que informou que ele continua preso preventivamente desde dezembro de 2018, prisão que foi substituída por prisão domiciliar e perdura até o presente momento. Disse ainda que os processos seguem o seu curso normal aguardando julgamento perante o STJ.

As denúncias contra João de Deus ganharam repercussão internacional após o programa Conversa com Bial, da TV Globo, exibir entrevistas com 10 mulheres que relataram abusos cometidos pelo líder religioso.

Hoje, as condenações contra João de Deus somam quase 215 anos de prisão, segundo levantamento feito pelo g1 junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO). Desde 2021, ele está em regime domiciliar em razão da idade avançada e por problemas de saúde crônicos, conforme alegou a defesa.

De acordo com a Polícia Penal de Goiás, João Teixeira está cumprindo pena em casa, com tornozeleira eletrônica. Pela decisão que concedeu a alteração do regime, ele não pode se aproximar da cidade de Abadiânia e das vítimas. Atualmente, João de Deus mora em Anápolis, a cerca de 35 km da Casa Dom Inácio de Loyola.

João de Deus respondeu por 18 denúncias, sendo 16 delas sobre crimes sexuais, com mais de 200 mulheres que formalizaram depoimentos, segundo Luciano Meireles, promotor de Justiça que coordenou uma força-tarefa sobre o caso no Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Em entrevista, ele relatou que a prisão domiciliar foi recebida com indignação.

“O MP tentou tudo para que ele cumprisse a pena no presídio. Como não conseguimos, buscamos o máximo de proteção para evitar que ele tenha contato com potenciais vítimas. Por uma questão de idade, ele conseguiu prisão domiciliar. Isso traz indignação para as vítimas que confiaram no sistema”, contou.

Segundo o TJ-GO, ao todo são 67 vítimas nos processos, pois foi reconhecida a extinção da punibilidade pela decadência ou prescrição em relação a 121 delas, que entraram nos processos como informantes. G1