Marcello Casal jr/ABr

Um grupo de cientistas alertou a Fifa que as atuais medidas de segurança contra o calor para a Copa do Mundo masculina de 2026 são “inadequadas” e podem colocar jogadores em risco de danos graves à saúde.

Em uma carta aberta, especialistas internacionais em saúde, clima e desempenho esportivo afirmam que as diretrizes da entidade estão defasadas em relação às evidências científicas atuais e são “impossíveis de justificar”.

Eles pedem que a Fifa adote proteções mais rigorosas, incluindo pausas mais longas para resfriamento e protocolos mais claros para atrasar ou adiar partidas em condições extremas.

O calor deve ser um problema durante o torneio deste verão nos Estados Unidos, Canadá e México, com pesquisadores alertando que as temperaturas em 14 dos 16 estádios utilizados podem ultrapassar níveis considerados perigosos.

Em partes do sul dos EUA e do norte do México, as máximas médias durante o dia costumam ficar entre 30°C e 35°C, podendo se aproximar dos 40°C em períodos mais quentes.

Quando fatores como temperatura, umidade, velocidade do vento e intensidade da radiação solar são considerados em conjunto, os jogadores nas cidades-sede da Copa correm maior risco de sofrer níveis extremos de estresse térmico no organismo.

A Fifa afirmou que está “comprometida em proteger a saúde e a segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários” e que os riscos relacionados ao clima são avaliados como parte do planejamento do torneio.

O que os cientistas estão pedindo?

Os 20 especialistas que assinaram a carta incluem acadêmicos de destaque do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa.

Eles querem que a Fifa reformule urgentemente sua abordagem, incluindo:

  • Adiamento ou suspensão de partidas quando o WBGT ultrapassar 28°C
  • Pausas para resfriamento mais longas, de pelo menos seis minutos
  • Melhores estruturas de resfriamento para os jogadores
  • Atualizações regulares das diretrizes com base nas evidências científicas mais recentes

Os especialistas também pedem que a Fifa adote os padrões propostos pelo sindicato global de jogadores FIFPRO. G1/BBC