Foto: Acervo MCom/Pablo Le Roy

Moradores de 43 localidades da Bahia que antes viviam sem acesso à banda larga móvel agora podem realizar operações bancárias, participar de aulas online, utilizar serviços públicos digitais e até acessar atendimentos de telemedicina sem precisar se deslocar para centros urbanos. A transformação foi possível graças à expansão do sinal 4G, que chegou a essas comunidades nos últimos três anos.

A iniciativa faz parte de um projeto liderado pelo Ministério das Comunicações (MCom), que já levou conectividade a 2.902 localidades em todas as regiões do país desde 2023. O objetivo é ampliar a inclusão digital e reduzir as desigualdades de acesso à internet em áreas mais afastadas. O Nordeste lidera esse movimento. Desde 2023, a região recebeu sinal 4G em 956 localidades. Na sequência aparecem o Sudeste, com 749 áreas conectadas; o Sul, com 571; o Norte, com 426; e o Centro-Oeste, com 200 localidades beneficiadas.

Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a chegada da internet móvel ao campo vai além da conectividade. “Conectar as áreas rurais faz parte de um desafio ainda maior: incluir todos os brasileiros no mundo digital. Nossa meta é aproximar as pessoas dos serviços básicos essenciais, da telemedicina e da educação a distância, além de tornar o pequeno produtor mais autônomo ao permitir o acesso a bancos e plataformas governamentais diretamente pelo celular, sem precisar sair de sua propriedade”, afirmou.

Como o sinal chega a localidades remotas

Levar o 4G a regiões que nunca tiveram cobertura exige uma operação complexa de engenharia. O processo começa com a definição do local de instalação e passa por diversas etapas técnicas e administrativas antes que a população possa utilizar o serviço. Entre os procedimentos necessários estão a autorização para uso da radiofrequência, o licenciamento da estação com a coordenada geográfica exata da torre e a obtenção das licenças ambientais exigidas pelos municípios.

Somente após a conclusão dessas etapas é iniciada a construção da infraestrutura. Em alguns casos, as torres podem alcançar quase 32 metros de altura para ampliar o alcance do sinal e atender comunidades mais distantes. A ampliação da cobertura 4G integra um conjunto de políticas públicas voltadas à expansão das telecomunicações no país, incluindo compromissos assumidos pelas operadoras durante o leilão do 5G.

Outro fator que tem acelerado a chegada da conectividade a regiões remotas é a atuação do Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired), responsável por coordenar ações para garantir o uso eficiente do espectro de radiofrequências.

Com as novas ativações, moradores de distritos, assentamentos e comunidades tradicionais passam a contar com internet de alta velocidade diretamente em seus celulares, facilitando a emissão de documentos, o acesso à educação a distância, a utilização de serviços bancários e o fortalecimento da economia local.

A expansão da cobertura continua por meio de leilões reversos. Nesse modelo, as operadoras escolhem uma ou mais localidades da lista disponibilizada pelo governo e apresentam propostas para realizar a implantação do serviço. Vence a empresa que solicitar o menor valor de subsídio para levar a conectividade a cada região.

O Ministério das Comunicações integra o Gired ao lado da Anatel, de representantes das emissoras de radiodifusão e das operadoras de telecomunicações, grupo responsável pelas diretrizes da Seja Digital/EAD e por ações voltadas à ampliação do acesso à internet em todo o país. Correio da Bahia