Mário Agra / Câmara dos Deputados

O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro intensificou o confronto com o deputado federal Zé Trovão (PL), expondo mais um episódio de tensão entre aliados de Jair Bolsonaro. A troca de ataques ocorre após o parlamentar catarinense criticar a postura de Bolsonaro diante da derrota nas eleições de 2022.

Em entrevista à rede Comunica Brasil, segundo o jornal O Globo, Eduardo Bolsonaro chamou Zé Trovão de “bosta” e afirmou que o deputado tem atuado contra o ex-mandatário. Apesar de dizer que o Partido Liberal provavelmente não adotará medidas disciplinares, o ex-parlamentar afirmou que os eleitores podem dar uma resposta nas urnas.

“A gente não concorda com as atitudes do Zé Trovão. O partido muito provavelmente não tomará nenhuma atitude. Mas você, eleitor, pode tomar”, declarou. Na sequência, Eduardo voltou a atacar o correligionário e insinuou possuir outras informações a seu respeito. “Se continuar falando merda, eu tenho mais coisa para falar de Zé Trovão. Mas vou ficar quieto aqui em nome da possibilidade de pacificação”, disse.

Críticas de Zé Trovão desencadearam o confronto

A reação de Eduardo Bolsonaro ocorreu após Zé Trovão afirmar, durante participação em um podcast, que Jair Bolsonaro errou ao não reconhecer publicamente a derrota nas eleições presidenciais de 2022.

Segundo o deputado, o ex-mandatário deveria ter encerrado a mobilização de seus apoiadores logo após o resultado das urnas. “Tinha que ter falado: ‘Perdi as eleições. Seja de maneira democrática ou não, perdi as eleições. Vai para casa’.”

A declaração faz referência aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Apesar das críticas, Zé Trovão também saiu em defesa do ex-mandatário. O parlamentar afirmou que Bolsonaro vive “uma das maiores injustiças de todos os tempos”, classificando-o como um “perseguido político”. Segundo ele, caso tivesse adotado outra postura após a derrota eleitoral, Bolsonaro não estaria preso atualmente.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar humanitária em razão de seu estado de saúde. Brasil247