Ele está nos memes, nas ruas, nas redes sociais e foi muito requisitado para estampar a cédula de 200 reais. O vira-lata caramelo se transformou em um dos maiores símbolos da cultura brasileira. Mas, afinal, por que essa pelagem é tão comum entre os cães sem raça definida? A resposta está na genética.
Segundo a geneticista Fabiana Andrade, responsável pela análise dos exames apresentados, a cor caramelo pode surgir por mais de um mecanismo genético. Enquanto as pelagens preta e branca costumam depender de um único gene, a caramelo pode resultar da combinação de dois genes diferentes, o que aumenta as chances de ela aparecer.
“É quase como se a gente tivesse uma possibilidade dobrada de ter o caramelo. Por isso ele é tão comum”, explica. De acordo com a pesquisadora, cerca de 40% dos cães sem raça definida apresentam essa coloração, índice superior ao de qualquer outro grupo de pelagem.
Para entender o que existe por trás dessa aparência tão característica, o Fantástico acompanhou testes genéticos realizados em três vira-latas caramelos de diferentes regiões do país: Jenny, de São Paulo; Valente, do Rio de Janeiro; e Frevo, de Recife.
Os resultados
A coleta do material genético foi simples e indolor. Os pesquisadores passaram um cotonete na parte interna da boca de cada cachorro, esfregando a gengiva para recolher células da mucosa oral. As amostras foram enviadas para um laboratório de genética animal da Universidade de São Paulo (USP), onde passaram por análise. No laboratório, o DNA dos animais foi comparado com cerca de 120 mil marcadores genéticos, capazes de identificar:
- ancestrais;
- traços raciais; e
- grau de parentesco com diferentes raças caninas.
Os resultados mostraram que, apesar da aparência semelhante, cada um dos três cães tem uma história genética completamente diferente.
- Valente apresentou influência de raças como boxer, pastor americano miniatura, pastor branco suíço, galgo espanhol, presa canário, bulldog campeiro e até chihuahua. Ainda assim, aproximadamente 75% da composição genética corresponde a dezenas de outras raças, sem predominância de uma única linhagem.
- Frevo revelou uma mistura ainda maior. Entre as principais influências apareceram fila brasileiro, pastor da Mantiqueira, doberman, parson russell terrier, pumi, spino degli Iblei e beauceron. No total, 74% do DNA do cachorro está associado a outras 62 raças diferentes, evidenciando uma diversidade genética ainda maior.
- Já Jenny trouxe uma surpresa. Embora também seja resultado de uma ampla mistura genética, o exame apontou uma influência significativa de Yorkshire Terrier. Segundo Fabiana, a porcentagem encontrada indica que um dos avós da cadela provavelmente era um Yorkshire de raça pura.
Os exames reforçam que o caramelo não é uma raça, mas o resultado de inúmeras combinações genéticas construídas ao longo de gerações. G1














