Se confirmada a abertura do Carnaval para o próximo dia 23 de fevereiro, são exatos 90 dias até a entrega das chaves da capital ao Rei Momo. Três meses que são insuficientes para garantir à população o que, para a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), é necessário até que o ciclo de imunização seja enfim considerado completo: a dose de reforço.

Coordenadora do centro de operações de emergência em saúde da pasta, Izabel Marcílio defende que apenas duas doses não garantem uma imunização segura. “Não precisamos fazer a taxa de cobertura de uma dose só porque isso não é nada. Na prática, vimos que é necessário uma terceira dose”.  Apenas 6,6% da população baiana já está imunizada dentro deste critério – “percentual ainda muito baixo”, alerta Izabel, que representa a secretária de Saúde, Tereza Paim, em nova audiência pública realizada nesta terça-feira (23).

O encontro reúne representantes das pastas municipal e estadual, sob mediação do vereador Cláudio Tinoco (DEM), presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada de Eventos.  Subcoordenadora de controle de doenças imunopreveníveis da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Doiane Lemos apresentou em tom de preocupação o número que representa os fatos. Cerca de 280 mil pessoas não tomaram a segunda dose da vacina. “É uma lacuna muito preocupante, porque vacinando a gente cria um escudo de proteção. E a lacuna é o que mantém a curva que não decresce”, pontua.

O nível de aglomeração promovido pelo Carnaval, diz a diretora do Instituto Couto Maia, a infectologista Ceuci Nunes, foge ao controle do considerado adequado diante de um cenário ainda pandêmico. Ao indagar até que ponto o passaporte da vacina seria cobrado no evento, Ceuci afirma – e lamenta – que, em Salvador, nunca foi solicitada a apresentar o comprovante.

“[O Carnaval] Isso pode ser a custo da vida? Vale a pena enfrentar uma nova onda? A curva estacionou, mas será que vale o risco de reunir milhões? A gente precisa salvar vidas, evitar que mais baianos morram”, reforça Ceuci, ao citar o governador Rui Costa (PT) – a quem atribui a responsabilidade de uma decisão que precisa ser “muito bem pensada”. Metro1