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A família da vereadora morta Marielle Franco usou as redes sociais nesta segunda (27) para expor sua indignação com o crime depois de uma reportagem do Fantástico mostrar a gravação da delação do assassino Ronnie Lessa.

“Com um grande sentimento de revolta, acompanhamos ontem a matéria no Fantástico que, ao expor detalhes da delação realizada por Ronnie Lessa, escancarou toda perversidade e brutalidade que envolve o crime político que, em 2018, interrompeu a vida da Marielle e do Anderson”, diz a nota publicada pelo Instituto Marielle Franco, que é coordenado pelos familiares. A filha de Marielle também se posicionou através do seu perfil pessoal.

“Apesar da saudade, sigo firme e atenta na busca por total elucidação do caso e por justiça!”, escreveu Luyara Franco. “São 6 anos de dor e saudade! Ao lado da família, seguiremos firmes na busca por total elucidação deste crime brutal e por uma justiça que garanta a responsabilização de todos os envolvidos, assim como medidas de reparação para as famílias e de não repetição para que casos como esse não se repitam”, completa a nota do instituto.

O Fantástico deste domingo (26) trouxe com exclusividade detalhes da delação de Ronnie Lessa. Foi a 1ª vez que Lessa admitiu ter praticado o crime que resultou na morte de Marielle e Gomes. Em 2 horas de depoimento gravado, Lessa fala quem são os mandantes, o que receberia pelo crime e o destino da arma usada em 14 de março de 2018.

Na delação, Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, afirmou que o plano de espionar o PSOL não mirava apenas a vereadora, mas também outros políticos do partido.

“O Domingos [Brazão], por exemplo, não tem papas na língua. Ele simplesmente fala que… ele colocou, digamos assim, um espião no PSOL, no partido da Marielle. E o nome desse espião seria Laerte, que é uma pessoa do Rio das Pedras, que depois eu soube se tratar de um miliciano. Uma pessoa responsável por várias atividades da milicia lá. E essa pessoa trazia informações para os irmãos com relação ao PSOL em si”, declarou Ronnie.

“Não somente em relação à Marielle. Ele falava sempre do Marcelo Freixo. Falava do Renato Cinco. Tarcísio Motta… Falava dessa pessoa. E demonstrava, assim, um interesse diferenciado por essas pessoas, pelas pessoas do PSOL.” Ouvido pelo Fantástico, Freixo declarou que Ronnie Lessa “é um psicopata”.

“Ronnie Lessa é um psicopata. É uma pessoa sem qualquer respeito à vida. Quantas pessoas ele matou antes da Marielle? A psicopatia dessa pessoa, bem como sua covardia, se somam a um Rio de Janeiro onde crime, polícia e política não se separam.”

A filiação de Laerte e Erileide aconteceu em abril de 2017, quando Lessa começou a fazer buscas na internet pelo nome de Marcelo Freixo — na época, uma das figuras mais atuantes do PSOL. Em 2019, Lessa admitiu em depoimento ao Ministério Público do Rio (MPRJ) ter pesquisado na internet informações sobre o então deputado federal.

O PSOL declarou que o casal foi expulso do partido em dezembro de 2020. “Sua real atuação já era de conhecimento do partido desde meados de 2019, mas não foram tomadas iniciativas por estarem sob investigação. Os fatos mostram que as milícias não possuem limites em sua atuação criminosa e contam, por muitas vezes, com o apoio de agentes do Estado, quando eles próprios não o são”, disse, em nota. G1