Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A tese esboçada pelo senador Jaques Wagner (PT) para explicar porque o PT não deveria se interessar pela Prefeitura de Salvador, abrindo mão da candidatura própria à sucessão em favor de um aliado como o MDB do vice-governador Geraldo Jr., não contenta nem muito menos convence todos os petistas. Na visão do senador, considerado um dos maiores políticos que se criou na Bahia nas duas últimas décadas, o partido não ganha a capital baiana, apesar de ter conquistado o governo do Estado há 17 anos, porque o povo, ou o eleitorado, melhor avaliando, é sábio.

Isto é, a sociedade baiana não se sente à vontade em entregar as duas esferas de poder, do Estado e do município, ao mesmo grupo político. Por este motivo, não adiantaria ao PT lutar para conquistar a Prefeitura, enquanto o partido mantiver sob o seu controle o governo baiano. Esticando a análise um pouco mais, sob a visão que Wagner professa, caso forçasse a barra e acabasse conquistando a capital, o PT deveria se preparar para perder o comando do Estado, o que, de forma alguma se trataria de um espaço de poder que alguém de sã consciência considerasse trocar por o de um município, ainda que fosse a capital.

Embora verossímil, apesar de criativa, a tese de Wagner, no entanto, tem impactos variados sobre os petistas. Ou seja, não são todos que concordam com ela. Entre os que discordam da principal liderança do PT na Bahia, há outras explicações para que a sigla em Salvador tenha sido jogada no freezer da geladeira por ele. E todas teriam relação com a história entre o ex-governador e a representação do partido na capital, da época em que davam as cartas na agremiação no município correntes de lideranças que se contrapunham a ele, como os ex-deputados Nelson Pelegrino e Walter Pinheiro.

Pelo menos uma vez, Wagner concorreu contra o primeiro em prévias para a escolha do candidato a prefeito de Salvador e perdeu, o que produziu enorme descontentamento nele. Quatro anos depois, sentindo a força do bloqueio na capital, o senador concorreria à Prefeitura de Camaçari numa espécie de preparo inédito de terreno para o primeiro retorno de Luiz Caetano à cidade e sua vindoura campanha ao governo, mais de 10 anos depois, que levaria o PT pela primeira vez ao comando do Estado na Bahia, derrotando as forças carlistas que o haviam dominado por décadas e consagrando-se como nova liderança estadual.

Aquela frustração em Salvador não o impediu, entretanto, de, no posto de governador, ainda apoiar tanto Pelegrino quanto Pinheiro à sucessão na cidade até a extinção do capital político de ambos no município. O sentimento de descrédito em relação à sigla em Salvador não acompanhou o hoje ministro Rui Costa (Casa Civil), que, nascido na cidade e ainda que de última hora, investiu num nome de sua cabeça para disputar a Prefeitura nas eleições de 2020, demonstrando melhor apreço pela sucessão na capital. O fato de Jerônimo ter emergido do interior não emite melhor sinal para o partido em Salvador e talvez também explique sua predileção por Geraldo Jr. * Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.