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Até mesmo aliados do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) reconhecem que a abrangência da quebra de sigilo fiscal e bancário vai deixar o filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), exposto e fragilizado. “Nem Madre Teresa sobrevive a 10 anos de quebra de sigilo”, afirmou um integrante de órgão de controle.

A Justiça autorizou a quebra após o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentar indícios de que houve um esquema chamado de “rachadinha” no gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual. A prática é configurada pela devolução dos salários dos servidores, o que já foi confirmado pelo ex-policial militar e ex-assessor de gabinete, Fabrício Queiroz, em depoimento por escrito. Em sua defesa, ele alegou que esse dinheiro era utilizado para ampliar a rede de colaboradores na base eleitoral de Flávio. Já o então deputado nega que isso tenha ocorrido.

Segundo informações do blog Painel, da Folha de S. Paulo, com acesso às contas do parlamentar de janeiro de 2007 a dezembro de 2018, MP-RJ poderá analisar toda a movimentação financeira do senador no período, o que inclui a campanha à Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016.

O MP do Rio também terá acesso às informações bancárias da mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, da empresa do casal, a Bolsotini Chocolates e Café Ltda, de Queiroz, das duas filhas do ex-assessor, Nathalia e Evelyn, e a mulher dele, Marcia.

A medida se estende ainda a 88 ex-funcionários do gabinete, seus familiares e empresas relacionadas a eles. É o caso de Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, irmã e mãe do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo MP-RJ como homem forte do Escritório do Crime, a organização de milicianos que é suspeita de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e de seu motorista Anderson Gomes. Homenageado por Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, no passado, o ex-PM Nóbrega é acusado por homicídios há mais de uma década. Hoje ele está foragido.