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As divergências internas no União Brasil, por causa da presidência do partido, fundo monetário e posições ideológicas não são novas na história da política. O partido nasceu em fevereiro de 2022 com a fusão do PSL com DEM, mas engana-se quem pensa que a confusão começou pelas divergências entre os remanescentes dos dois grandes partidos.

Em 2003, no então PFL (futuro Democratas) do falecido senador Antônio Carlos Magalhães, ocorreu o primeiro rompimento significativo entre duas lideranças do partido. Em um bate-boca, o baiano acusou o correligionário e presidente nacional da sigla, Jorge Bornhausen (SC), de “roubar” recursos do caixa do partido para privilegiar um grupo político em detrimento de outros.

A briga foi presenciada por vários senadores e ACM até protocolou um requerimento à Comissão Executiva Nacional do PFL pedindo prestação de contas sobre os recursos financeiros do partido. Na época, ACM disse que o partido estava “muito mal comandado e precisava acabar com essa panelinha que permite que quem não tem voto mande no partido”.

Outra confusão envolvendo grandes amigos do partido foi protagonizada por João Roma, atual bolsonarista, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB). Compadres e amigos de longas décadas, os dois hoje já não se cumprimentam e nem sentam na mesma mesa.

João Roma que em 2003 foi membro da direção executiva nacional do então PFL como presidente nacional do PFL Jovem cultivou uma amizade fraterna com ACM Neto. Em 2013 foi chefe de gabinete de Neto, mas deixou o cargo para concorrer às eleição para deputado federal pelo Republicanos.

O desentendimento entre ambos começou quando Roma recebeu o convite para ser ministro do governo Jair Bolsonaro (PL). Segundo Roma, Neto não teria aceitado a ideia e então rompeu a amizade. “Na época ele teve um desacerto com Rodrigo Maia e queria que eu pagasse essa conta. E tem coisas que um amigo não pode pedir para o outro. Então ele tomou o caminho dele e eu tomei o meu”, contou.

Segundo Neto, o fato de João Roma ter aceitado o cargo de ministro do presidente Jair Bolsonaro (PL), sem ter comunicado, previamente, a ele, foi o estopim para o rompimento. “Quando ele foi indicado para ministro de Bolsonaro eu ponderei com ele, pois, na época, Rodrigo Maia estava brigando comigo. Então as pessoas iriam pensar que tinha dedo meu nessa indicação e eu não poderia ter essa digital. Eu sabia o caos que aquilo iria trazer. Ele se comprometeu comigo que não seria (ministro), mas eu fui informado da nomeação dele através de um jornalista. Ele era um cara que eu tinha 20 anos de relação e eu nem fui avisado. Então não me deixou outra alternativa a não ser deixar claro que, daquele momento em diante, estávamos separados politicamente”, afirmou.

Não teve jeito. Os compadres romperam e Roma até afirmou que ACM Neto não gostou de vê-lo em um cargo superior. “Passei 20 anos limpando chão pra ele e ele não aguentou me ver em um cargo”, disse.

A mais recente confusão no União Brasil acontece agora entre o presidente nacional Luciano Bivar, o tesoureiro, Antônio Rueda, e o secretário-geral, Acm Neto, apontado como um dos principais articuladores para a saída de Bivar, uma vez que ambos já teriam protagonizado discussões acaloradas.

Diante das insatisfações com a condução do partido, a situação entre Neto e Bivar se agravou em outubro do ano passado, após divergências sobre o diretório do Amazonas. Integrantes do partido teriam afimado que Bivar apontou o dedo a Neto e proferiu uma série de ofensas e xingamentos.

“Precisamos de uma Direção Nacional mais plural no União Brasil, onde o presidente nacional reúna com frequência o partido e as decisões estratégicas, municipais, estaduais e nacional, sejam tomadas pelo desejo da maioria”, disse nota assinada por oito integrantes da legenda, todos oriundos do DEM, logo após a confusão. A partir daí, Neto teria organizado uma resposta partidária, orquestrando um movimento pela saída de Bivar. BNews