Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

O Bahia fez um jogo perfeito contra o Corinthians, na noite da última sexta-feira, para chegar a 41 pontos e sair provisoriamente da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A merecida goleada, por 5 a 1, poderia ter placar ainda mais elástico diante da supremacia tricolor na Neo Química Arena. O time baiano anulou o adversário taticamente, principalmente por causa de uma escalação que surpreendeu e garantiu um resultado histórico.

Rogério Ceni fez o “primeiro gol” ao surpreender com a manutenção do atacante Luciano Juba na lateral esquerda, mesmo com Camilo Cándido à disposição após cumprir suspensão no empate com o Athletico.

Além disso, o treinador escalou Yago Felipe no meio-campo e abriu mão de um atacante em substituição a Everaldo, que cumpriu suspensão nesta rodada.

Outra surpresa foi o card da escalação divulgado pelo clube. Rezende aparecia como volante e Thaciano como centroavante, mas o que se viu foi o Bahia no 3-5-2, com o camisa 5 na defesa e o 16 como armador.

Dentro de campo, o Bahia teve superioridade numérica em quase todos os espaços do gramado e “atropelou” nos 30 minutos iniciais. Logo cedo, aos 3 minutos, a permanência de Juba entre os titulares garantiu boa cobrança de escanteio da esquerda para gol de Rezende.

Depois, já aos 15, Juba encontrou bom passe da esquerda para o centro do campo, e Cauly fez boa tabela com Thaciano antes de complementar o golaço com bela jogada individual e um forte chute de esquerda.

Perto dos 30 minutos, já pela direita, Biel aproveitou cruzamento para dominar como centroavante na área e sofrer um pisão de Gil, em tentativa de finalização. O VAR indicou a marcação da penalidade, que foi convertida por Thaciano.

A avalanche tricolor ainda contou com outros pontos positivos, como a boa compactação defensiva pronta para acionar o ataque em jogadas verticais à procura de Biel. A aproximação de Thaciano aos dois atacantes também gerou trocas de passes rápidas.

Em lances dentro dessas realidades, o Bahia chegou a marcar o quarto gol, mas Thaciano estava em impedimento ao cabecear na pequena área. Além disso, Cauly teve chance da marca do pênalti, mas a finalização foi barrada pela defesa.

Na parte final do primeiro tempo, o Tricolor descansou após quase 35 minutos de muita intensidade, mas a única boa chance corintiana só aconteceu porque Juba errou passe na saída de bola. Marcos Felipe evitou o pior com boa defesa.

Na segunda etapa, o Bahia teve dificuldade para marcar a jogada adversária entrelinhas, pois havia muito espaço entre os três zagueiros tricolores e os meio-campistas Acevedo e Yago Felipe. Nos contra-ataques, o Tricolor continuou agressivo, apesar de ter aproveitado essa alternativa em menor quantidade.

E o jogo caminhou desta maneira até 20 minutos do segundo tempo, quando Kanu saiu para receber atendimento médico, o Bahia ficou com um jogador e menos em campo e Gilberto errou passe na saída de bola. Rezende conseguiu evitar o gol no primeiro lance, mas Renato Augusto pegou o rebote para diminuir.

Com o adversário aceso no jogo após o gol, Rogério Ceni esperou apenas alguns minutos. Depois, colocou Camilo Cándido no lugar de Luciano Juba, na lateral esquerda, e Ademir na vaga de Biel, no ataque.

As alterações foram importantes para trazer novo fôlego ao lado esquerdo e garantir o quarto gol. O próprio Ademir tabelou em velocidade com Cauly e balançou a rede em rápido contra-ataque tricolor.

A bola na rede aumentou a confiança do Bahia, principalmente com os passes para Ademir. Foi o atacante, inclusive, que recebeu a bola na grande área e driblou Gil antes de ser derrubado pelo zagueiro e sofrer pênalti, novamente convertido por Thaciano.

Com o jogo mais confortável, o Tricolor administrou o excelente resultado. Ceni ainda colocou Cicinho no lugar de Gilberto, na lateral direita, Rafael Ratão em substituição a Cauly, no ataque, e Mugni na vaga de Yago Felipe, no meio-campo.

Confiança lá no alto

Se os três tropeços seguidos e a consequente entrada na zona de rebaixamento tiraram a confiança do Bahia, agora, o Tricolor tem motivos de sobra para estar confiante em busca da permanência na elite do Brasileiro.

Com três zagueiros, o time manteve consistência defensiva. Além disso, os 12 dias de descanso e preparação trouxeram fôlego ao setor ofensivo e uma conexão de jogadas muito interessante entre Thaciano, Cauly e Biel.

O Bahia volta a campo já na próxima quarta-feira, novamente contra uma equipe paulista. Desta vez, o adversário vai ser o São Paulo, em compromisso marcado para as 20h (horário de Brasília), na Arena Fonte Nova.

Resta saber se o técnico Rogério Ceni manterá a escalação que deu espetáculo na casa corintiana ou voltará com Everaldo no ataque. O centroavante volta a ficar à disposição após cumprir suspensão. Globoesporte