deputado federal Cacá Leão

Ao reafirmar sua independência política, o pré-candidato ao Senado, o deputado federal Cacá Leão (PP), disse que os adversários não vão conseguir “colar” nele a pecha de ser bolsonarista.

“Desde que cheguei em Brasília, tive a oportunidade de ser e trabalhar com três presidentes da República, com Dilma, Temer e agora com Bolsonaro. E sempre acompanhei o meu partido nas votações, acompanhei o meu partido nas decisões partidárias. Esse fato de se dizer… tentar ser taxado de bolsonarista não vai colar em mim, porque eu, inclusive, fui contra a diversas pautas ideológicas do governo Bolsonaro. Acompanhei o governo em votações que são importantes. Não tenho discurso, uma fala, uma foto minha referendando o presidente nas suas pautas ideológicas”, ressaltou, em entrevista à Tribuna.

Cacá Leão ainda detalhou como foi o processo que resultou na saída do vice-governador João Leão (PP) da chapa de ACM Neto (União Brasil). O deputado disse também acreditar na vitória de ACM Neto no primeiro turno para governador da Bahia.

“O que eu vejo hoje a eleição de ACM Neto, a cada dia que passa, se consolidando mais. As pessoas, independente do projeto nacional, têm apostado em Neto, têm acredito em Neto, como um nome que vem para dar aos baianos o que eles desejam. Se o candidato A ou B vai conseguir se consolidar lá na frente, aí vai ter que sentir isso no momento. Mas hoje não consigo enxergar nenhum nome que venha a abalar o que está sendo construído e consolidado a nível de vitória no primeiro turno de ACM Neto”, frisou.

Tribuna – Qual o seu sentimento agora diante desse novo desafio, que é a pré-candidatura ao Senado Federal? 

Cacá Leão – Eu estou muito feliz. Muito animado. Não é uma coisa que passava pela minha cabeça nesse momento. Eu estava me preparando para minha reeleição de deputado federal, e saí da zona de conforto agora para assumir essa missão como pré-candidato ao Senado. Eu estou conversando com as pessoas, ouvindo do interior e da capital. Tenho recebido diversas manifestações de apoio, de atenção pelos quatro cantos da Bahia. Então, o sentimento é um sentimento de alegria, de otimismo e de muita animação.

Tribuna – Como é que foi o diálogo do vice-governador João Leão com vocês ao anunciar a desistência da candidatura a senador? Essa decisão partiu dele? 

Cacá Leão – Partiu exclusivamente dele. Eu jamais faria qualquer movimento que não fosse da vontade, do desejo direto dele. Ele é meu norte. E, enquanto ele tiver desejo, vontade de estar e continuar, sempre será ele. Ele me chamou numa quarta-feira, quando estávamos em Brasília, na Marcha dos Prefeitos, e ele me chamou e me falou reclamou um pouco do ritmo da campanha, do pique. João Leão é um homem de 76 anos de idade, apesar de ter muita vitalidade, tem hoje algumas dificuldades da idade. A gente ainda vai chegar lá e vai senti-la sabe. E me chamou na quarta-feira me dizendo que estava com essa dificuldade, estava sentindo o ritmo campanha e eu achei que ele estava brincando comigo. Ele durante o ato falou: “Você não quer assumir o meu posto não?” Eu levei na brincadeira e tudo e passou. Caminhou, voltou para Salvador, não o encontrei. Acabei encontrando no sábado. No município de Santo Sé, onde ele já vinha fazendo uma agenda de Ilhéus, Juazeiro… Lá em Sento Sé ele teve um mal-estar depois de uma caminhada, depois de um “piseiro”, como chamam. Quando chegou aqui em Salvador no sábado à noite, ele chega um pouco na frente, ele pousou e me ligou: “Amanhã de manhã, eu quero conversar com você”. Aí eu fui para casa dele no domingo de manhã, e ele me disse “marquei com o Neto pra gente ter aquela conversa. Realmente está puxado para mim. Vamos ver o que que ele acha”. E fomos conversar com o ACM Neto e a ACM Neto não colocou dificuldade na mudança. Ele disse que a vaga era do partido, a vaga era do Progressistas e que a gente fizesse essa discussão. Com a anuência de Neto, a gente foi fazer a discussão com os nossos companheiros, convocamos nossos deputados estaduais, os nossos deputados federais para discutir a mudança. É claro que a substituição por Cacá Leão ela é natural. Ela é natural e agradou a grande parte dos companheiros do nosso partido, os deputados estaduais, do interior. A partir do momento que a gente teve a anuência, a gente partiu para ampliar essa discussão com os companheiros do Estado.

Tribuna – Os parlamentares do partido assimilaram bem a troca? 

Cacá Leão – Assimilaram, assimilaram. Claro que todo mundo foi pego de surpresa, inclusive, eu. Houve algumas pessoas que gostariam que essa discussão ela fosse um pouco mais extensa, um pouco mais prolongada, mas a grande maioria entendeu que não havia tempo hábil para isso e que a gente tomasse logo a decisão. Como a gente vive numa democracia, o que a maioria decidiu foi o que foi acatado por todos.

Tribuna – Quais suas principais bandeiras? Tanto na campanha quanto em um eventual mandato como senador?  

Cacá Leão – O meu maior desafio agora na campanha é primeiro me apresentar pelos quatro cantos da Bahia. Eu fui deputado estadual, sou deputado federal há oito. Mas faço política hoje, eu acredito, em cerca de ¼ do estado, em cento e poucos municípios. Então, eu preciso apresentar quem é o deputado Cacá Leão para os quatro cantos do estado da Bahia. E é isso que eu vou procurar fazer agora na campanha. Caso consiga ter a aprovação do povo e chegar ao Senado Federal, vou ampliar esse trabalho que eu já faço como deputado federal por todo o estado. Eu sou um deputado federal, que onde eu represento e pelos municípios que eu represento, eu graças a Deus, a gente apresenta resultado do nosso mandato. Eu posso enumerar aqui para vocês diversas conquistas, inclusive, regionais que a gente conseguiu obter. O governador inaugurou recentemente área de oncologia, já havia inaugurado a cardiologia, do Hospital do Oeste, um pouco mais de R$ 40 milhões de investidos, 14 milhões foram através das nossas emendas parlamentares. Está sendo construído o Hospital Regional lá na bacia do rio Corrente, onde a gente colocou R$ 6 milhões de reais. Está pronto para ser inaugurado o Hospital Regional de Itaberaba também com recursos do nosso mandato de deputado federal. Tenho no meu currículo a honra e o orgulho de ser o responsável pela construção de um campus do Instituto Federal da Bahia, uma obra magnânima. O maior campus dos institutos federais do Brasil na cidade de Jaguaquara, construímos um campus do IFBA também na cidade São Desiderio. Então, se for da vontade do nosso povo, vamos ampliar esse trabalho que a gente já faz na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, pelos quatro cantos da Bahia.

Tribuna – O vice-governador vai realmente disputar uma vaga na Câmara dos Deputados? 

Cacá Leão – Vai sim.

Tribuna – Quantos deputados o PP pretende eleger? 

Cacá Leão – Olha, a gente está aí… Uma das coisas que fez com que a mudança fosse de Leão para Cacá foi exatamente a facilidade que João Leão tem de herdar as nossas bases eleitorais. Já foram dele no passado, e agora ele tem a oportunidade de retornar a essas bases para ser candidato a deputado. Tenho certeza absoluta de que os nossos companheiros de partido também entendem que ele tem uma condição de ampliar muito a nossa votação que eu teria. A imprensa já fala inclusive que Leão pode ser um dos deputados federais mais votados do nosso estado. Isso anima o nosso partido, anima a nossa chapa de deputados federais porque a gente teria assegurado a eleição de quatro cadeiras. Com a chegada de João Leão no meu lugar, isso amplia para a gente projetar inclusive a eleição de cinco deputados federais na chapa do Progressista para eleição de outubro. Hoje, a gente tem seis deputados estaduais, e trabalha para ter sete ou oito estaduais. Tenho certeza absoluta de que o Progressista vai crescer nas eleições.

Tribuna – O PT tem acusado o senhor de ser um bolsonarista. O senhor se enxerga como bolsonarista? 

Cacá Leão – Olha, desde que cheguei em Brasília, tive a oportunidade de ser e trabalhar com três presidentes da República, com Dilma, Temer e agora com Bolsonaro. E sempre acompanhei o meu partido nas votações, acompanhei o meu partido nas decisões partidárias. Esse fato de se dizer… tentar ser taxado de bolsonarista não vai colar em mim, porque eu, inclusive, fui contra a diversas pautas ideológicas do governo Bolsonaro. Acompanhei o governo em votações que são importantes. Não tenho discurso, uma fala, uma foto minha referendando o presidente nas suas pautas ideológicas. Então, eu tenho muita tranquilidade de falar, de dizer que soube trabalhar com Dilma, soube trabalhar com Temer, e soube trabalhar com Bolsonaro. E saberei trabalhar com o próximo presidente da República, seja ele quem for.

Tribuna – O candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, ainda pode deslanchar nas pesquisas? Ou acha que ACM Neto vencerá no primeiro turno? 

Cacá Leão – Eu acredito muito na vitória de ACM Neto no primeiro turno, por tudo que eu vejo e estou vendo. Ainda não tinha feito nenhum evento público com Neto (antes de ser anunciado como pré-candidato a senador). Eu estive em Sento Sé e em Remanso, e é impressionante o carinho que as pessoas têm, a esperança e a expectativa que as pessoas têm em ACM Neto. Inclusive, enquanto eu caminhava em uma agenda paralela como pré-candidato a deputado, onde eu chegava as pessoas me perguntavam por que a gente tinha demorado tanto de fazer esse movimento (de migrar de lado político). O que eu posso dizer, o que estou vendo nas ruas, o cenário, a expectativa, a esperança das pessoas são de vitória de ACM Neto no primeiro turno, com uma grande votação.

Tribuna – A gente tem visto o ex-presidente Lula dando algumas declarações polêmicas. O que tem servido, inclusive, de munição para o presidente Bolsonaro. Na sua avaliação, quem hoje tem mais condições de ganhar a eleição presidencial? 

Cacá Leão – É uma eleição polarizada. A gente tem aí nesse processo quatro tipos de eleitores. O eleitor de Lula, o eleitor de Bolsonaro, o eleitor contra Lula e o eleitor contra Bolsonaro. Não consigo ver espaço para uma terceira via emplacar nesse momento, a cinco meses das eleições. Acho que as eleições nacionais ainda estão muito indefinidas. Há a polarização, acirramento, mas não tenho bola cristal para dizer quem vai ganhar a eleição nacional, mas que posso dizer que, seja sem for, se o povo da Bahia me der a oportunidade de estar no Senado Federal, eu não deixarei de maneira nenhuma de estar contribuindo para a melhoria de vida do povo da Bahia.

Tribuna – O PP da Bahia manterá neutralidade sobre o cenário nacional? 

Cacá Leão – Manterá. A gente sempre teve essa autonomia, sempre nos foi dada. Na eleição passada, o partido acabou indicado a vice de Geraldo Alckmin, mas o partido teve a sua liberdade, independência para apoiar quem quisesse (na Bahia). Nesse novo momento, será da mesma forma, terá independência no estado para caminhar. A tendência é que a gente libere, inclusive, os filiados para apoiar quem quiser. A gente tem filiados, alguns deputados que se identificam mais com a esquerda, outros que são mais ligados a Bolsonaro. O partido tanto a nível nacional quanto do estado vai liberar para quem quiser caminha conforme sua consciência.

Tribuna – A candidatura de João Roma a governador da Bahia retira votos de ACM Neto? 

Cacá Leão – O que eu vejo hoje a eleição de ACM Neto, a cada dia que passa, se consolidando mais. As pessoas, independente do projeto nacional, têm apostado em Neto, têm acredito em Neto, como um nome que vem para dar aos baianos o que eles desejam. Se o candidato A ou B vai conseguir se consolidar lá na frente, aí vai ter que sentir isso no momento. Mas hoje não consigo enxergar nenhum nome que venha a abalar o que está sendo construído e consolidado a nível de vitória no primeiro turno de ACM Neto. Tribuna da bahia