Foto: Tunísia Cores – Ascom DP-BA

A Associação das Prostitutas da Bahia (Aprosba) relatou para a Defensoria Pública do Estado (DP-BA) uma série de dificuldades que as associadas enfrentam, em uma reunião nesta segunda-feira (30). Representante da vereadora Marta Rodrigues também participou da reunião.

 

Entre as necessidades apresentadas estiveram a urgência por um espaço físico próprio, bem como suporte psicológico, jurídico, emissão de documentos e demandas de saúde, a exemplo de consultas médicas e exames. A entidade funciona na  sede do Movimento de Libertação da Mulher e no Casarão da Diversidade. Atualmente, a associação pleitea uma sede própria para a continuidade dos trabalhos – rodas de conversa, oficinas de sexo seguro, distribuição de preservativos e de materiais educativos/informativos.

 

Na ocasião, a subdefensora-geral Firmiane Venâncio, explicou que a Defensoria atua em diversas áreas que estão relacionadas às  necessidades da Aprosba. “Existem diversas ações que podemos estruturar. A proposta é que realizemos atendimentos da Defensoria específicos para as prostitutas, não apenas no âmbito jurídico, mas também social, já que identificamos também muitas demandas nesta área”, afirmou a defensora.

 

Para a defensora pública Eva Rodrigues, deve haver cada vez mais proximidade entre as trabalhadoras da área e a Defensoria. “É importante que a Aprosba e o público que ela atende ocupe os espaços da Defensoria, não apenas para conhecer a nossa atuação, mas para saber qual unidade da Instituição buscar a partir das necessidades da associação e das associadas”, disse.

 

O Ministério do Trabalho e Previdência inclui a profissional do sexo na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e explicita que as atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam a vulnerabilidade da profissão. Ainda de acordo com o respectivo órgão federal, tal profissional “busca programas sexuais, atende e acompanha clientes e também participa de ações educativas no campo da sexualidade”.

 

Apesar do reconhecimento no âmbito nacional, Fátima Medeiros, fundadora da Aprosba, destaca que inúmeras dificuldades cercam a profissão e as prostitutas. “Nossos maiores desafios são lutar contra o preconceito, a falta de apoio, a violência física e verbal, o medo da morte. As pessoas precisam entender que não somos destruidoras de lares. Nossa atividade não é crime e não somos ‘portadoras’ de ISTs – muito pelo contrário, somos muito bem informadas e usamos proteção”, explicou.

 

Paraibana do sertão, como define a sua origem, Fátima Medeiros tem 56 anos e cresceu em Natal, no Rio Grande do Norte. Desde os 22 anos é trabalhadora sexual. “Entrei na prostituição por necessidade financeira”, relembra. No entanto, foi por meio da profissão que conseguiu dinheiro para manter a vida e trilhar os caminhos para a fundação da Aprosba. “Com a minha profissão, sustentei a minha família. A importância do meu cargo na associação é mostrar que as minhas companheiras não estão sós, podem contar comigo de igual para igual”, afirmou Fátima Medeiros, que também se define como uma militante que luta pelo empoderamento das mulheres e colegas de profissão.

 

Presente em municípios como Camaçari, Feira de Santana, Juazeiro, entre outros, a Aprosba relatou na reunião com a DP-BA dificuldades financeiras especialmente diante do atual momento de pandemia de Covid-19. Com a perda de capital, houve também a interrupção de projetos de formação de lideranças e outras iniciativas, além de o cenário ter também impactado a atuação das mulheres. “No passado, nós chegamos a cadastrar duas mil mulheres, mas acreditamos que, com a falta de oportunidades de trabalho, esse número tenha aumentado 100%”, comentou. Bahianoticias