Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil

Dados do Atlas da Violência apontam que o número de homicídios contra grupos sociais minoritários politicamente subiu entre 2020 e 2021, em especial contra mulheres, negros, indígenas e população LGBTQIA+. Os dados do Atlas da Violência 2023 foram apresentados em Brasília na terça-feira (5). O levantamento tem como base fontes do Ministério da Saúde referentes ao ano de 2021. O aumento no número de homicídios para determinados segmentos da sociedade contrasta com a redução de 4,8% na taxa geral.

“Se é verdade que a taxa de homicídios tem caído no Brasil a partir de 2018 para cá, o que acontece é que neste últimos anos houve um recrudescimento importante da violência contra determinados grupos sociais, em particular contra negros, mulheres e indígenas”, afirmou o coordenador da pesquisa e técnico do Ipea Daniel Ricardo de Castro Cerqueira.

Os especialistas citam como elementos que podem ter motivado essa discrepância nos dados a acentuação de discursos extremistas contra esses grupos – que coincidiu com o governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022 – e a pandemia da Covid, que recaiu de forma mais pesada sobre populações vulneráveis.

Conforme o relatório, todas as ocorrências de violência contra homossexuais e bissexuais aumentaram no período 2020-2021: os casos de violência contra o primeiro grupo aumentaram 14,6%, e as violências contra bissexuais cresceram 50,3%. Em relação a trans e travestis, a violência física aumentou 9,5% e a psicológica, 20,4%.

“O que isso nos diz? Isso nos aponta para um provável crescimento para essa violência, mas também um aumento das notificações porque de 2020 para 2021. Em 2021 a gente já tem relaxamento das medidas de distanciamento social”, explicou Samira. O estudo apontou ainda que os negros são 55,3% das vítimas homossexuais e 52,2% das bissexuais.

A porcentagem é ainda maior entre trans e travestis: as mulheres trans negras concentram 58%, contra 35% das brancas, e homens trans negros concentram 56%, contra 40% dos brancos, travestis negras totalizam 65% do total, contra 31% das brancas. “No segmento LGBTQI+, travestis negras e jovens são as mais desproporcionalmente vitimizadas”, conclui o documento. G1