Foto: Pedro Souza/Atlético-MG

O Atlético Mineiro é campeão brasileiro após 50 anos e a festa foi na Fonte Nova, diante do Bahia. Em luta contra o rebaixamento, o tricolor chegou a abrir 2×0 já no segundo tempo, mas o líder conseguiu uma virada impressionante com três gols no intervalo de cinco minutos e garantiu o troféu nesta quinta-feira (2), com duas rodadas de antecedência. Já o tricolor fica em situação ainda mais difícil para evitar a queda.

Luiz Otávio e Gilberto marcaram os gols do Bahia, e Hulk, de pênalti, e Keno, duas vezes, sacramentaram a conquista do bicampeonato para o Galo, depois de 50 anos. Por ironia, o atacante Keno é soteropolitano, e o paraibano Hulk, artilheiro da competição agora com 18 gols, começou a carreira no Vitória.

O resultado mantém o Esquadrão na zona de rebaixamento. O clube baiano é o 17º colocado, com 40 pontos. A distância para o Athletico-PR, primeiro time fora do Z4, é de dois pontos, mas pode aumentar, já que nesta sexta-feira (3), os paranaenses recebem o Cuiabá, que tem 43.

Restando apenas dois jogos para o fim do Brasileirão, o próximo compromisso do Bahia será domingo (5), quando recebe o Fluminense, às 16h, mais uma vez na Fonte Nova. O tricolor precisa vencer os cariocas. A depender dos outros resultados, uma nova derrota pode até significar o rebaixamento antes mesmo de visitar o Fortaleza na última rodada.

Já o Atlético é só festa. O novo campeão saiu da Fonte Nova e vai para o aeroporto ainda nesta noite porque a programação prevê comemoração ao som de Bell Marques (torcedor do Bahia) no centro de Belo Horizonte.

EQUILIBRADO
Sem Juninho Capixaba, suspenso, Guto Ferreira promoveu a entrada de Rossi no ataque. Já na defesa, a novidade foi o retorno de Luiz Otávio ao lado de Germán Conti. Com a missão de vencer para sair da zona de rebaixamento e colocar água no chopp alvinegro – que já estava com festa montada com direito a show de Bell Marques em Belo Horizonte para comemorar o título -, o Esquadrão viu o Atlético-MG usar do poderio técnico para se impor nos primeiros minutos.

Logo no início da partida, Keno fez a tabela na entrada da área e mandou uma bomba que Danilo Fernandes teve que se esticar todo para salvar. Apesar da pressão, aos poucos o Bahia equilibrou o duelo. Empurrado pela torcida, o tricolor tentava articular as jogadas na zona intermediária, principalmente na dobra de Rossi e Nino pela direita, mas tinha dificuldade para furar o bloqueio adversário.

Bem postado defensivamente, o Bahia travava as ações do Galo enquanto ia marcando presença no ataque. Aos 28 minutos, Raí levantou para Rodriguinho na área, e a defesa do Atlético conseguiu o corte providencial. Do outro lado, quando Matheus Bahia falhou na marcação, Nacho Fernández entrou sozinho pela direita e chutou no canto, mas Danilo Fernandes operou um milagre e impediu o gol. A resposta tricolor foi no mesmo tom. O cruzamento de Matheus Bahia foi certinho na cabeça de Rodriguinho, que cabeceou por cima do travessão de Everson e o primeiro tempo terminou mesmo 0x0.

HAJA GOL!
O Bahia voltou para o segundo com o mesmo time, e o duelo reiniciou de forma frenética. Logo no primeiro minuto, o cruzamento de Rossi encontrou Raí Nascimento dentro da área, o atacante bateu para o gol e a bola explodiu na defesa. Do outro lado, o Atlético-MG quase inaugurou o placar em uma bomba de Hulk que desviou e ainda tocou na trave antes de sair.

A melhor chance do Esquadrão, no entanto, apareceu aos quatro minutos, quando Raí Nascimento roubou a bola no meio-campo e puxou contra-ataque. O atacante disparou em velocidade e passou para Rossi, só que Guilherme Arana chegou primeiro e cortou o que poderia ser o primeiro gol da partida.

A pressão fez efeito aos 16 minutos. No escanteio cobrado por Mugni, Luiz Otávio subiu mais do que a defesa atleticana e cabeceou bem no cantinho, sem chance para o goleiro Everson, e fez 1×0. Na arquibancada, a torcida acompanhou o time e passou a cantar mais alto. O Galo ainda tentava se reorganizar quando, apenas três minutos depois, o tricolor aproveitou a euforia do momento e chegou ao segundo. Matheus Bahia fez o cruzamento rasteiro da esquerda, Gilberto se antecipou ao marcador e anotou o 13º gol dele na Série A, aos 20 minutos.

Mas, no jogo em que os dois lados se lançaram ao ataque, a empolgação do time da casa foi destruída em somente cinco minutos. Foi o intervalo de tempo em que o Atlético conseguiu fazer três gols e virou o placar.

O primeiro saiu aos 27, em cobrança de pênalti de Hulk, após falta de Luiz Otávio em Sasha, que havia entrado em campo pouco antes. O segundo foi aos 28 minutos: Keno recebeu na entrada da área, ignorou a marcação à distância de Nino e Conti, bateu de chapa e fez um golaço, deixando tudo igual. O terceiro gol saiu em outro belo chute de Keno que Danilo Fernandes não conseguiu defender, aos 32 minutos.

A virada do Atlético-MG fez parte da torcida do Bahia se calar. Em campo, o time baiano sentiu o golpe e se desorganizou. Sem conseguir criar as jogadas, o Esquadrão viu o alvinegro se fechar e administrar o resultado nos últimos minutos até poder soltar o grito de campeão. (Correio da Bahia)