Uma estatística que só cresce e envergonha. A técnica de enfermagem Simone Maria dos Santos foi assassinada pelo companheiro na Vila Laura, no 1º deste mês . Dois dias depois, Iraildes de Jesus foi morta na cidade de Camacan e o suspeito é o ex-marido. Na Bahia, seis mulheres são vítimas de feminicídio por mês, segundo a própria Polícia Civil. Em um estado com esses índices de violência, com 417 municípios e com quase 15 milhões de habitantes, dos quais 51,6% são do sexo feminino (de acordo com o IBGE) é surreal que existam apenas 15 delegacias especializadas (Deam) em todo o território baiano – essas unidades são responsáveis por desenvolver ações que protegem as vítimas de potenciais agressões. E a situação ainda é pior: nenhuma das Deam da Bahia têm funcionamento 24h. Todas só atendem em horário comercial. É o único estado do Nordeste sem esse modelo de delegacia a qualquer hora.

Que reajuste é esse?

A situação promete ser tensa nesta segunda-feira (8) na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Desta vez a pauta não será nenhum projeto polêmico, e sim a ocupação da Casa, prevista para às 10h e por tempo indeterminado, por investigadores, escrivães, peritos técnicos e militares. A decisão foi tomada após assembleia na última quinta-feira pelos sindicatos de classe – um deles representa 90% dos servidores da Segurança Pública baiana. O objetivo é chamar atenção do Governo do Estado para adotar uma política de valorização dos profissionais. A categoria não aceita o reajuste de apenas 4%. Para além da situação dos servidores que precisa ser resolvida, como será o reflexo na população com efetivo da SSP/BA reduzido (que já está abaixo da média nacional)? Está aí, mais uma bomba que caiu no colo do secretário de segurança pública Marcelo Werner, que sequer completou seis meses no cargo.

População armada 

A apreensão de armas da Bahia pela Polícia Federal aumentou 87% entre 2021 e 2022, segundo a própria instituição. Foram retiradas de circulação desde revólveres e pistolas a fuzis – armamentos contrabandeados pelo tráfico de drogas e também adquiridos por colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) e repassados para traficantes. Segundo o Ministério da Justiça, no Brasil, essas armas chegam às facções também através de documentos fraudados pelos clubes de tiros. Só na semana passada, a PF prendeu 52 CACs durante a operação “Day After” – todos tinham mandado de prisão por crime que vão desde homicídio a corrupção. O Brasil vive hoje uma epidemia de homicídios. Foram 40,8 mil pessoas assassinadas em 2022, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. E ainda querem armar ainda mais população, mas para quê? Correio da Bahia