Jair Bolsonaro, em live nas redes sociais, nesta última quinta-feira (24), admitiu ter recebido denúncia de corrupção envolvendo a vacina indiana Covaxin. Ele confirmou ter se encontrado em março com o deputado Luis Miranda (DEM), que denunciou irregularidades nas negociações para a compra do imunizante e afirmou ter alertado o chefe do Planalto sobre as operações fraudulentas. Bolsonaro, porém, negou as suspeitas levantadas por Miranda e disse que “quem buscou armar isso daí vai se dar mal”.

“Está essa onda toda aí… ‘Agora pegamos o governo Bolsonaro’, ‘corrupto’, ‘negociando vacina com 1.000% de sobrepreço’… Não vou entrar em muitos detalhes, não. Coisa tão ridícula”, disse. “Isso [conversa com Miranda] aconteceu em março. Quatro meses depois, ele resolve falar para desgastar o governo? O que ele quer com isso?”, destacou.

“Não gastamos um centavo com a Covaxin, não recebemos uma dose de vacina Covaxin. Que corrupção é essa? Assim como o Luis Miranda esteve aqui, ele podia ligar para mim e perguntar o que está acontecendo, eu responderia para ele. (…) Passaram-se quatro, cinco meses depois que ele conversou comigo… Conversou, sim, não vou negar. Não aconteceu nada, não entrou no Brasil uma só dose de Covaxin”, continuou.

CPI da Covid

O deputado Luis Miranda (DEM), que, junto com seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda, denunciou esquema de corrupção na compra da vacina Covaxin, vai levar à CPI da Covid nesta sexta-feira, 25, uma troca de e-mails que indicam que o governo Jair Bolsonaro teria insistido no contrato para a compra do imunizante indiano.

Os irmãos Miranda alertaram Bolsonaro ainda em março sobre o processo suspeito envolvendo a vacina, que iria ser comprada superfaturada, com preço 1000% maior ao que havia sido oferecido anteriormente. Por ter omitido a informação para a Polícia Federal (PF), Bolsonaro pode ser acusado de três crimes: prevaricação, condescendência com o crime e responsabilidade.

Nesta quinta, senadores da CPI da Covid afirmaram que a Madison Biotech, empresa usada para tentar receber antecipadamente US$ 45 milhões da compra da Covaxin, é uma empresa de fachada. Ela é sediada num endereço em que investigações internacionais já apontaram a existência de registros de 600 empresas de fachada, aproximadamente.