Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

O deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante) detonou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com ele, o bolsonarismo enganou grande parte da população, especialmente os evangélicos e os policiais militares. Perguntado se ele havia votado em Bolsonaro, Isidório negou veementemente. “De forma nenhuma! Deus me defenda! Eu quase perdi a eleição por causa dele”, declarou o deputado federal baiano.

“Os meus eleitores são em maioria evangélicos, cristãos, católicos, o pessoal de Polícia e de Segurança Pública. E ele não, porque ele não é evangélico. Ele enganou. E [os eleitores] foram enganados”, justificando que perdeu votos em seus principais nichos eleitorais por não ter apoiado Bolsonaro.

Nas palavras de Isidório, Bolsonaro é um estelionatário da fé, que teria dado um “golpe” na população brasileira ao assumir um personagem religioso que, na avaliação do parlamentar baiano, seria falso. “Ele não é evangélico. Ele enganou. É um estelionatário. Estelionatário da fé. Ele enganou o povo. Não adianta dizer que esse povo é isso e aquilo, que é gado. Eu não gosto disso. Porque todo mundo cai em golpe. Estelionatário é alguém que engana todo mundo. Ele enganou quando disse ‘Deus’”, avaliou o pastor. Isidório também contestou o lema tradicionalmente utilizado por Bolsonaro, “Deus, Pátria e Família”, que moveu milhões de bolsonaristas em todo o país como um símbolo do conservadorismo brasileiro.

“Quem é de Deus não vai estar fazendo sinal de arma, porque arma não é sinal de governo, é sinal de tirania. Família, família, ele está na terceira ou quarta mulher, com todas as outras vivas. E pátria: que pátria? Quem entregou a Petrobras, a nossa refinaria aqui [Landulpho Alves-Mataripe, na Região Metropolitana de Salvador], queria entregar a Petrobras toda, entregou a Eletrobras, queria vender os Correios, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. Que pátria é essa?”, perguntou Isidório.

Sobre os diversos líderes religiosos que apoiaram e fizeram campanha para Bolsonaro, Isidório preferiu não fazer um julgamento de valor, deixando a avaliação para “Deus”. “Aí é outra coisa. Eles vão prestar conta a Deus. A gente não discute, porque a eleição é um direito. Eu quero é amizade com todos eles. Eu fui muito punido, fui chamado de demônio, de bandido, de um bocado de coisas, porque votei no presidente Lula. Mas eu não fico em cima de muro. Eu não podia chancelar mentira”, disse o militar. Informações do BNews